O quarto em Coimbra

Vanessa Fidalgo

O quarto em Coimbra

Só faltava trazer mais dois sacos, uma caixa e, depois disso, podia finalmente considerar-se instalada.
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Por Vanessa Fidalgo|04.12.16
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‘Finalmente’, era a palavra certa. Desde que chegara a Coimbra, já tinha calcorreado quase todas as ruas da cidade em busca de quarto. Ou eram demasiado caros, ou demasiado longe ou cheiravam a bafio e xixi de gato.

Ali, pelo menos, estava entre amigos. Se é que podia referir- -se assim a quem acabara de conhecer nas primeiras aulas da faculdade. O precioso achado ficava numa vivenda cor de rosa dos anos 50 com um minúsculo quintal. No piso de cima moravam os senhorios, um casal de velhotes sorumbáticos. No de baixo, quatro raparigas.

Era tudo um bocado velho. As madeiras chiavam e por baixo dos canos da cozinha passeava uma família de baratas. O quarto era abafado e de noite tinha dificuldade em dormir. Talvez fosse apenas falta de hábito, até porque aquele tinha de servir. ‘O mais importante nas casas são as pessoas que lá vivem’, repetia para si própria.

Como em qualquer casa de estudantes, a galhofa e as conversas sobre rapazes eram o prato do dia. Todavia, havia qualquer coisa que teimava em incomodá-la.

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