Palácio dos Aciprestes

Vanessa Fidalgo

Palácio dos Aciprestes

No início, avisaram-na para ter “muito cuidadinho”. Que as paredes tinham olhos e ouvidos que “metiam medo ao susto”. “Sombras” que abalariam as suas convicções.
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Por Vanessa Fidalgo|20.11.16
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Paula ouvia, espantada com tanta crendice em pleno século XXI. Atribuiu-a à antiguidade do velho Palácio dos Aciprestes, ao mistério que os seus jardins fundavam na mente de quem nunca tinha transposto o arco em pedra da entrada, certamente capaz de alimentar o imaginário popular.

Tinha imenso orgulho em trabalhar ali. Deliciava-se com o romantismo do salão principal, com a sua lareira e a imensa escadaria que dava acesso ao seu gabinete. Não evitava lá ficar sozinha até altas horas, porque também não tinha razões para isso. Até ao dia!…

O estagiário chegou, tímido e desajeitado, para a entrevista da praxe. Paula Saraiva mirou e revirou-lhe o currículo, ouviu-lhe a história do costume. Estavam os dois sozinhos ou, pelo menos, assim era suposto. "Tum… tum… tum". Três passos cavos num chão de madeira. "Como é possível, se o chão é de pedra?", questionou-se aos seus botões. Esperou que o visitante chegasse. Mas ele tardava…

Depois outra vez: "tum… tum… tum".

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