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Os romances de António Lobo Antunes são como longos espaços de visão sobre uma mesma realidade.
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Por Francisco José Viegas|17.10.16
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Os romances de António Lobo Antunes são como longos espaços de visão sobre uma mesma realidade; as ‘repetições’ servem para insistir num ponto de vista, porque estamos desatentos e precisamos de olhar outra vez; as intromissões dos ‘diálogos’ são apelos da memória – ocorreram noutro tempo – para que as personagens não percam relevância nem precisem de outra vida senão aquela.

Em ‘Para Aquela que Está Sentada no Escuro à Minha Espera’ (D. Quixote) o exercício é levado adiante – estamos sentados diante do mundo, sentados no escuro observando a forma como o tempo passa. É sobre isso, o romance: o mais nobre dos temas, a passagem do tempo; e também sobre o envelhecimento, a morte, a máscara de uma atriz, a permanente intromissão de uma busca poética.

Acho uma coisa notável "escrever sempre o mesmo romance" (geralmente é dito em tom de acusação): um processo só ao alcance dos autores que não perdem a sua voz e a ampliam como uma música que passa de página a página, regressando das profundezas do ser. O ‘ser’ é uma coisa fora de moda. Lobo Antunes dá-lhe uma dignidade transcendente, belíssima.

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