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As canções continuam a ser refúgio para almas inquietas, bem escritas, em homenagem à própria poesia.
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Por Francisco José Viegas|18.10.16
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Prossegue – a um ritmo cada vez mais desiludido – o burburinho em torno da atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan. Como já aqui escrevi, foi saudável o facto de meio mundo literário ter ficado chocado com a ideia. Almas poderosas, cheias de advérbios e certezas literárias, manifestaram a sua tristeza de forma escandalizada.

É o costume: em primeiro lugar, a família – responder à quota étnica, acomodar questões de género ou a luta contra as injustiças do mundo, a par de uma certa solenidade de pé de chumbo. A falar verdade, nada disso me comoveu.

Aliás, no fim de semana, a cada argumento anti-Dylan, cheio de calculismo e vaidade dissimulada, cresceu mais a ideia de que foi justíssima a sua atribuição. Com vantagens: Dylan não apareceu a dizer inanidades sobre literatura, nem a consagrar-se como guru das letras, nem a falar de tudo e de nada, como numa ‘flash-interview’ de escritores. Só isso já me deixou descansado.

As canções continuam a ser refúgio para almas inquietas, bem escritas, em homenagem à própria poesia. Eu sei, queriam parlapié – desta vez não foram a correr salvar o mundo.

América
Humor, acidez , inquietação e melancolia gasta: ‘Cheio de Vida’ (Alfaguara), de John Fante, é uma história familiar delirante e extravagante que prevê derrocada da América e do seu ideário de sucesso. A ler!
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