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Sou ainda desse tempo: um fio de azeite. Aprendi o sabor desse azeite essencial e apanhei as azeitonas nas encostas do Douro, como o fazia a minha família.
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Por Francisco José Viegas|29.11.16
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A ceia dos mais pobres era composta de batatas cozidas, pão e azeite. O azeite era uma iluminação nesse prato de esmalte: o seu brilho à luz mortiça das cozinhas não evocava a beleza dos campos, nem os hotéis com spa entre as oliveiras, mas a luta pela sobrevivência, o único sabor que se acrescentava às batatas.

Sou ainda desse tempo: um fio de azeite. Aprendi o sabor desse azeite essencial e apanhei (em janeiro) as azeitonas nas encostas do Douro, como o fazia a minha família. Com o tempo, a vida passou a ser muito melhor.

Edgardo Pacheco é de outra geração e reúne, para nossa alegria - e espanto meu, naturalmente – 100 azeites diferentes num livro (‘Os 100 Melhores Azeites de Portugal’, bela fotografia de Jorge Simão, edição Lua de Papel), juntando história, receitas, recomendações, sabedoria, conhecimento.

Também sou desse tempo: o azeite tinha um sabor amargo de terra e granito, evocando o frio da geada e as oliveiras que passavam de gerações em gerações. O grau de sofisticação a que Edgardo Pacheco o eleva, neste livro, faz da minha memória um festival de gratidão.
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  • De alblopes29.11.16
    Também eu, caro Francisco! Esqueceu-se de referir o frio que acompanhava a apanha da azeitona, o frio daquelas geadas e a chuva que penetrava nos nossos ossos, quando, subindo às oliveiras para as varejar, ficávamos cheios daquele frio cortante das terras dos nossos avós!
1 Comentário
  • De alblopes29.11.16
    Também eu, caro Francisco! Esqueceu-se de referir o frio que acompanhava a apanha da azeitona, o frio daquelas geadas e a chuva que penetrava nos nossos ossos, quando, subindo às oliveiras para as varejar, ficávamos cheios daquele frio cortante das terras dos nossos avós!
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