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Várias almas dedicaram os últimos dias a proclamações patrióticas a propósito da vitória de Salvador Sobral em Kiev.
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Por Francisco José Viegas|17.05.17
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Várias almas dedicaram os últimos dias a proclamações patrióticas a propósito da vitória de Salvador Sobral em Kiev. Que isto é um prémio para todos nós, o reconhecimento de que somos geniais, de que o talento para a música nasceu aqui, e de que não há um único desafinado de Valença à ilha do Corvo.

Esta apropriação dos prémios pela pátria inteira é meio esquisita. Claro que ficamos felizes, claro que exultamos – Salvador é dos nossos. Mas, quando se trata de generalizar, alto lá. Foi assim com o Nobel de Saramago; a partir daí, éramos todos grandes escritores. Foi assim com Ronaldo; passámos a ser todos bons de bola.

Lá por Maria João Pires ser genial, o país não deixa de ter pianistas desafinadas. Os políticos em funções usam muito essa artimanha: somos os melhores do mundo, não há ninguém assim.

Acontece que cada um desses prémios recebidos é fruto de muito trabalho, dedicação, abnegação muitas vezes, e sofrimento, insistência. Silêncio. Incompreensão. Injustiça. Alegria também. Mas não gastem o prémio do Salvador e da Luísa com trivialidades patetas. O prémio é deles.
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