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Por Francisco José Viegas|20.06.17
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Já em 2001, Pedro Almeida Vieira, um dos bons jornalistas de ambiente, defendia (na ‘Grande Reportagem’) que em Portugal tinha ardido mais área do que em todos os países juntos do Mediterrâneo. Quinze vezes mais do que toda a França. O dobro de Espanha. Etc. Escândalo. Insultaram-no. Foi preciso esperar por números de 2005 para que as autoridades o confirmassem. Metade da floresta ardida de toda a UE é nossa.

Em 2005, o CM mostrava que nos últimos 20 anos tinha ardido metade desse território abandonado e entregue à desolação e às auto-estradas. No ano passado, um alto responsável do governo garantia que "não é por haver vento ou calor que há incêndios".  

Não interessa. Façamos, pois, o luto – somos muito razoáveis em matéria de comoção; contamos muito com a dor dos outros e ouvimos os apelos "à união" de lágrimas nos olhos. No entanto, não é a idade que nos torna mais insensíveis – mas a repetição de certas tragédias, dos discursos que as acompanham e das fotografias da desolação. Há um vento de morte e resignação no país que detesta a sua paisagem e a chora sem saber.

Citação do dia
"O abandono a que o Estado deixa o seu território também favoreceu chamas"
Armando Esteves Pereira ontem, no CM

Sugestão do dia
ZWEIG BIÓGRAFO - Para que não nos esqueçamos de uma das grandes figuras que desenhou o nosso mundo, está aí ‘Magalhães, O Homem e o seu Feito’ (Assírio & Alvim), de Stefan Zweig. Biografia que apetece ler.

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