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Silêncio cúmplice

Ricardo Ramos

Silêncio cúmplice

A reação de Donald Trump aos violentos confrontos de sábado em Charlottesville, Virgínia, só pode ter surpreendido os mais desatentos.
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Por Ricardo Ramos|14.08.17
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A reação de Donald Trump aos violentos confrontos de sábado em Charlottesville, Virgínia, só pode ter surpreendido os mais desatentos. Mas alguém estava à espera que Trump fosse condenar os grupos de extrema-direita que ajudaram - com um pequeno empurrãozinho russo - a colocá-lo na Casa Branca?

Basta recuar à campanha eleitoral e lembrar a longa semana que Trump demorou a rejeitar a contragosto o apoio de David Duke, antigo ‘feiticeiro imperial’ do Ku Klux Klan, para perceber o quanto lhe custa hostilizar essa franja cada vez mais influente do eleitorado chamada ‘alt-right’, ou direita alternativa, que não passa de um conjunto de agrupamentos racistas, xenófobos e supremacistas.

Trump, que tanto gosta de criticar o seu antecessor Barack Obama por evitar usar em público as palavras ‘terrorismo islâmico’, optou no sábado por denunciar a "violência de todos os lados", em vez de condenar diretamente a ideologia que levou um fanático a acelerar a toda a velocidade contra uma multidão indefesa.

Para todos os efeitos, trata-se de um silêncio cúmplice que certamente não se repetiria se o agressor fosse negro ou se se chamasse Mohammed...

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