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Quando Dom Quixote regressa, já meio amalucado, da primeira das suas viagens, os seus amigos queimam alguns livros que o teriam enlouquecido.
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Por Francisco José Viegas|13.09.17
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Quando Dom Quixote regressa, já meio amalucado, da primeira das suas viagens, os seus amigos queimam alguns livros que o teriam enlouquecido.

O padre é educado e subtil; alguns daqueles livros são perniciosos, mas são bons – e poupa-os. Entre eles está ‘Tirant lo Blanch’, do valenciano Joan Martorell (1413-1468). Foi escrito em catalão, tal como as obras do filósofo Ramon Llul (1232-1315) ou de Ausiàs March (séc. XV), o autor do belíssimo ‘Veles e Vents’.

A Catalunha, já no século XX, deu-nos nomes importantes, de Salvador Espriu a Mercè Rodoreda, de José Luís Sampedro a Manuel Vázquez Montalbán, passando por Esther Tusquets, Ana María Matute, os extraordinários Pere Gimferrer, Gil de Biedma ou Enrique Vila-Matas, dos vários Goytisolo a Nestor Luján, Juan Marsé, Félix de Azúa e Ana María Moix ou Clara Janés. A lista é imensa, mas nem todos escrevem em catalão – isso fará deles menos barceloneses?

Segundo os nacionalistas, sim. É uma pena. Se a hipotética independência da Catalunha implicar a queima de um único livro destes autores, seria uma desgraça – infelizmente, já prometida.
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