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A atracção nacional por ditadores

Eduardo Cintra Torres

A atracção nacional por ditadores

Pouco lhes importa que [Salazar], morrendo sem riqueza, vivesse sempre à custado estado.
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Por Eduardo Cintra Torres|12.11.17
Quem nunca ouviu por aí "isto já só lá vai com dois Salazares" que atire a primeira pedra. Da última vez que ouvi, o cidadão acrescentou que o salazarismo tinha aquela coisa má de não haver liberdades, mas, como tantos, dava maior importância a valores como a segurança e a honestidade.

Para muita gente, Salazar passa nesse teste. Pouco lhes importa que a segurança se conseguisse à custa, precisamente, da falta de liberdades, ou que ele, morrendo sem riqueza, vivesse sempre, entre Coimbra e S. Bento, à custa do Estado, ou que favorecesse grupos como a CUF, porque não beneficiou pessoalmente.

Em democracia, promessa de transparência e honestidade na gestão da coisa pública, é afinal a liberdade de imprensa que nos permite conhecer a contínua e sistemática apropriação do poder para benefícios pessoais ou de grupo, a promiscuidade entre políticos e negócios, que atingiu o esplendor no governo Sócrates. O que dele já se conhece revela um pequeno ditador em democracia, admirado por milhões.

A atracção por um chefe continua em democracia e convive com, ou até justifica, o desinteresse pelas liberdades, em especial as de expressão e de imprensa. Não deixo de me espantar com o aborrecimento de milhares de pessoas com quem contacto quando se trata de defender essas liberdades.

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