Sub-categorias

Notícia

Por João Pereira Coutinho|27.11.16
Uma pessoa acorda, sabe da morte de Fidel Castro e, ainda na cama, fecha os olhos e vê o filme do dia: um longo cortejo de comediantes a falar de um ‘líder histórico’ (como Salazar?), um político ‘controverso’ (como Mussolini?) e alguém que será ‘julgado pela história’ (como Hitler?). Depois, com a passagem das horas, a previsão confirma-se.

Longe de mim criticar as taras de cada um: o exercício é cansativo e a imbecilidade, ao contrário da ignorância, não tem cura. Um pormenor, porém, não deixa de me provocar certa urticária: como é possível que o nosso jornalismo engula e promova essa imbecilidade sem questioná-la com factos – a miséria de Cuba, os presos políticos, os milhares de mortos, os náufragos, etc.?

Dizem que o jornalismo está em crise: são as vendas, a publicidade, a internet. Certo. Mas a crise do jornalismo também se explica com a cobardia do jornalismo.
Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!

Subscrever newsletter

newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)