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A culpa é do polvo

Paulo Morais

A culpa é do polvo

A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.
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Por Paulo Morais|16.10.12
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A culpa é do polvo

Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.

Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes sentir raiva e exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.

Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia.

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9 Comentários
  • De José Martins28.10.12
    Totalmente de acordo.Pena é que o povo não acorde e ao contrário, se sinta culpado pela situação.Salvo raríssimas excepções,todos os governantes são responsáveis pela situção do país.Quando são oposição ,já têm soluções.
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  • De PL17.10.12
    Amen...
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  • De h'ocanhão17.10.12
    Estou de acordo. Porque não, os Portugueses de Bem, entrarem em greve Nacional (não gosto geral), até serem anunciadas novas eleições? Depois, sensibilizar o Povo para o Voto em Branco, e assim, acabarmos com esta cambad
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  • De augusto ribeiro17.10.12
    É verdade. Mas, fomos há muito avisados da situação.. Que fizemos? Nada. Quando se tentou travar após a chegada ao pântano, demite-se um governo maioritário pois há vida para além do débito e elege-se o regabofe. Agora..
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  • De Ana Cruz17.10.12
    Estou perfeitamente de acordo a acrescento ainda os Tribunais onde se passam coisas muito estranhas, ou não se passa nada. Essa inércia também ajuda a que a corrupção se instale e fique.
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