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Por Armando Esteves Pereira|15.10.16
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O objetivo de quem conquista o poder é mantê-lo. Nesse sentido, o Orçamento ontem apresentado é mais um instrumento político e o Governo de António Costa usa-o de forma hábil. Agrava impostos indiretos, mas com a devolução gradual da sobretaxa do IRS, aumento de pensões mais baixas e atualização extraordinária até 10 euros em agosto vai distribuir pouco dinheiro por muita gente. São migalhas, dirão alguns, mas para quem tem baixos salários, ou reformas de 400 euros, todos os ganhos fazem a diferença. Assim, a perceção para a maioria dos eleitores sobre o novo Orçamento pode ser positiva. E esse é um trunfo que o Governo pode usar se for preciso ir a votos, em caso de eleições legislativas antecipadas.

Automóveis, bebidas e quase tudo o que mexe sofre um agravamento fiscal por via dos impostos indiretos e impostos especiais. É a lei da bala e até as balas têm um novo imposto.

A tragédia deste país é que o PIB não acelera. A estimativa para 2017 é modesta, mas basta algum arrefecimento externo para ser bastante pior do que as previsões. O Estado gasta demasiado face à riqueza nacional e aumenta a dívida pública. O descalabro bancário agrava o problema. E há ainda a bomba relógio da demografia, que pressiona cada vez mais a segurança social. Mais tarde ou mais cedo esta mistura explosiva pode gerar uma tormenta.

Mas o Governo ignora esse perigo. Empurra com a barriga e espera que o desastre não aconteça no seu turno. Limita-se a gerir com mestria o ciclo político.
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