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A grande periferia

Padre António Rego

A grande periferia

Somos pessoas e carregamos uma história de que sabemos muito pouco.
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Por Padre António Rego|19.05.17
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Encanta-me a ideia de não haver no planeta, neste ou noutro, duas pessoas iguais. Isso quer dizer que cada um de nós comporta uma complexidade de sinais inteiramente nossos, de impossível imitação.

Dar-se-á no aspeto físico e ao que chamamos, para nos entender, na alma, se ainda aceitamos alguns conceitos da velha filosofia.

Em qualquer caso não somos mera substância química que seria fácil de produzir em série. Somos pessoa, humana, única, outro conceito que desorienta os microscópios. Somos pessoas e carregamos uma história de que sabemos muito pouco: os antecedentes da nossa constituição física, dos nossos sinais exteriores, das nossas feições, dos nossos sentidos. E a nossa herança de alma, a área do nosso pensamento, das nossas emoções, dos conhecimentos que adquirimos pela aprendizagem, os que vieram inscritos nas nossas células, que não passam em nenhum ecografia ou outros sensores que possamos atravessar para sermos observados por dentro e por fora. E trazemos dentro de nós o transcendente.

É quase ridículo que do ser humano se fale desta maneira como se se tratasse da dissecação dum coelho. Somos mais que tudo isso e que a soma de todas as moléculas. Todos somos mais que aquilo que tentamos definir. Todos e cada um, seja qual for a raça, a cultura, a história ou a crença. Aqui nos curvamos perante a grandeza do homem que só podia ter saído das mãos de Deus.

Penso isto quando me deparo com uma multidão onde parece que as pessoas são insignificantes. E não são. Ou em qualquer aldeia perdida, nos dramas humanos que passam neste momento na Venezuela e em tantos países de África e muitos da Ásia, de que se fala menos. Sem esquecer as pessoas e famílias do nosso país, mesmo ao nosso lado, que vivem nas periferias da pobreza. A falta do pão de cada dia no seu sentido profundo continua a ser a "grande periferia" do nosso tempo.

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