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A prova do medo

Alfredo Leite

A prova do medo

A incógnita será saber se o ataque vai interferir nos resultados.
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Por Alfredo Leite|alfredoleite@cmjornal.pt|22.04.17
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Ainda o atentado em Paris estava quente e já a candidata de extrema-direita às eleições presidenciais aproveitava para capitalizar votos à custa da morte e do medo no coração da capital francesa. Era de esperar. O terrorismo, que é hoje um tema central na sociedade francesa, quase só chegou à campanha na retórica populista de Marine Le Pen. Seria de esperar, por isso, que a líder da Frente Nacional aproveitasse para exibir os seus créditos anti-imigração, responsabilizando os restantes candidatos pela derrota da França na guerra contra o terrorismo.

Do lado do centrista Emmanuel Macron e do conservador François Fillon (envolvido numa polémica judicial por ter dado emprego a familiares), o silêncio também é compreensível. Seriam eles os mais prejudicados por um aproveitamento eleitoralista de um ataque com contornos de radicalismo islamita. Fillon é um candidato fragilizado e Macron terá tanto mais chances de manter a liderança nas sondagens quanto menos exposto a polémicas se colocar.

Será difícil que este atentado venha a interferir nas tendências de voto, mas essa é uma eventualidade que só vamos perceber no domingo. E se assim for significa que o vencedor destas eleições será o medo.
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