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A vingança da gaivota

Leonardo Ralha

A vingança da gaivota

Ser acordado às seis da manhã em todos os dias de uma semana de férias numa vila algarvia é o tipo de maldição atribuível a um britânico.
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Por Leonardo Ralha|11.08.17
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Ser acordado às seis da manhã em todos os dias de uma semana de férias numa vila algarvia é o tipo de maldição atribuível a um britânico.

Pouco importa que em tempos de Brexit haja menos súbditos de Isabel II nas redondezas, substituídos por turistas alemães e franceses, pois o britânico em questão não é daqueles a quem o álcool consumido na discoteca quebra os grilhões da vocação recalcada e impele a ofertar interpretações muito próprias de êxitos da música a quem ainda dorme.

Nem poderia, pois Charles Darwin está morto há 135 anos.

Mas o autor de ‘A Origem das Espécies’ ficaria decerto intrigado ao constatar, após ser acordado às seis da manhã em todos os dias de uma semana de férias numa vila algarvia, que cada vez mais gaivotas nidificam nos telhados e terraços, fazendo crescer as crias por entre antenas parabólicas com a mesma barulhenta desenvoltura com que ao longo de milénios o fizeram nas falésias.

Se os humanos ocupam cada vez mais a costa, a vingança da gaivota é tirar partido da civilização, mesmo que todos tenham de ficar a saber a hora a que as suas esfomeadas crias despertam.

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