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Aquela cativa era um activo

José Diogo Quintela

Aquela cativa era um activo

Muito antes de CR7, fomos várias vezes Bola de Ouro da escravatura. Dávamos cartas. (Menos de alforria).
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Por José Diogo Quintela|22.04.17
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Chocou-me o discurso que o Presidente da República fez no Senegal, em que aligeirou o papel de Portugal na história da escravatura.

Apesar da distância civilizacional entre o país do séc. XV e o do séc. XXI, não tenhamos receio de avaliar práticas de há 500 anos pelo prisma da moral contemporânea. Afirmemos, sem pejo, que, à luz dos padrões que hoje nos regem, sobressai uma verdade irrefutável: durante três séculos, Portugal foi o melhor do Mundo numa área altamente competitiva!

Ok, trata-se da escravatura e a escravatura é, até prova em contrário, desagradável. Mas não devemos olhar para o copo meio vazio. Evite-se o botabaixismo, tão mau para a nossa auto-estima. Os portugueses devem saber que, muito antes de CR7, fomos várias vezes Bola de Ouro da escravatura. Dávamos cartas. (Menos de alforria).

Cada navio era uma start up, cada negreiro um empreendedor. Disruptivamente, Portugal tornou-se numa potência do tráfico esclavagista. Através de um estudo de mercado certeiro, identificou um negócio típico que era explorado por muitos, mas de forma amadora, e, com benchmarking competente, transformou-o numa indústria profissionalizada.

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