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As meias verdades das estatísticas

Armando Esteves Pereira

As meias verdades das estatísticas

A limpeza de ficheiros e o cruzamento de dados com a Segurança Social permitiu aos serviços do IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional) baixar estatisticamente o número de desempregados.
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O INE revela que o número de pessoas sem trabalho é maior que em igual período do ano passado, mas o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, festejou os números que aparentemente revelam que havia menos desempregados no primeiro trimestre deste ano que no último de 2005. Pode haver crescimento da criação do emprego, mas a debilidade da economia ainda não permite apurar se há criação efectiva e sustentada de postos de trabalho. Sem aumento de riqueza é difícil haver mais empregos.
Diz a experiência económica que, com o PIB a crescer abaixo de 2% ao ano em Portugal, o desemprego não baixa. A economia ainda anda a um ritmo abaixo de 1% e nem os sinais mais positivos permitem antever uma aceleração do ritmo. Era necessário um salto de lebre, mas apenas se verifica uma aceleração de caracol. Por isso, a recuperação de emprego, sem o contributo da economia real, parece ser o milagre de fazer pão sem farinha. E por muito antipático que possa parecer o principal problema em Portugal nem sequer é o desemprego. A principal debilidade é a estagnação que nos torna cada vez mais pobres em comparação com as economias mais ricas da União Europeia. E nem os sinais ténues de retoma já vislumbrados pelo Banco de Portugal nos tiram deste triste pântano.
O 14.º MÊS E O ESTADO SOCIAL
O secretário de Estado do Orçamento, Emanuel Santos, sabe do que fala quando alerta para os custos do 14.º mês dos reformados. O gabinete do primeiro-ministro apressou-se a sossegar os quase 2,2 milhões de pensionistas e prometeu que nenhum direito será retirado. O gabinete do primeiro-ministro só pode garantir que até 2008 o subsídio de férias será pago aos reformados, mas a médio prazo, e com a continuação das dificuldades do Estado para equilibrar as contas públicas, nenhum político sério pode assegurar esse direito adquirido. Curiosamente, este subsídio só tem 16 anos e foi criado pelo Governo de Cavaco Silva. Na altura, Portugal tinha um crescimento médio forte e a medida foi de redistribuição social de riqueza, mas o descalabro das contas públicas agravado pela estagnação económica, ameaçam o próprio Estado Social. E, um dia, para garantir as mãos deste Estado Social, será preciso sacrificar alguns anéis.
- A Bolsa de Lisboa já regista nove sessões consecutivas em queda. É a prova de que no mercado de acções se aplica a lei da Física que diz que o que sobe também pode descer. Mas não há sinais para alarme e o saldo do ano ainda é positivo.
- Trabalhamos 137 dias por ano para pagar impostos, mais dez que em 2000. E, enquanto não se resolver a questão do défice, cada ano que passa vamos pagar mais.
- O acréscimo da carga fiscal é insustentável. O ano só tem 365 dias e já passamos mais de um terço a trabalhar para o Estado. A única solução é exigir ao Estado que gaste menos e melhor

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