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Banalidade do acaso

Leonardo Ralha

Banalidade do acaso

Se Hannah Arendt alertou para a banalidade do mal no nazi Eichmann, nunca poderemos antecipar a tremenda banalidade do acaso.
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Por Leonardo Ralha|02.12.16
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O guarda-redes Danilo Padilha ainda foi encontrado com vida pelos socorristas. Morreu pouco depois, num hospital colombiano, reduzindo para seis o número de sobreviventes da queda do avião que transportava a equipa de futebol brasileira Chapecoense, ceifada quando ia jogar a primeira mão da final da Taça Sul-Americana Nunca saberemos se nos últimos instantes recordou o quinto minuto de tempo de compensação da meia-final em que o seu clube recebeu os argentinos do San Lorenzo, equipa favorita do Papa Francisco.

No último lance do jogo houve um livre a favor dos visitantes, a bola sobrou para um deles, mas Danilo defendeu com o pé direito, mantendo o resultado que deu acesso à final. Fez aquilo que se pede a um guarda-redes, permitindo uma explosão de alegria imediata ao mesmo tempo que dava sequência à sucessão de acontecimentos que conduziram à morte de 71 pessoas.

Cremos ser a mais perfeita e complexa criação de Deus ou de uma evolução das espécies, mas somos escravos de um destino que por vezes nos faz estar à hora errada no lugar errado. Se Hannah Arendt alertou para a banalidade do mal no nazi Eichmann, nunca poderemos antecipar a tremenda banalidade do acaso.

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