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Demasiado quente

Leonardo Ralha

Demasiado quente

Sem ópera e bailado, há sempre outras artes que se dão bem com o calor.
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Por Leonardo Ralha|18.06.17
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Se não acreditam, culpem Cole Porter, pois foi o norte-americano quem permitiu a Ella Fitzgerald cantar que "segundo o Relatório Kinsey, qualquer João que conheças, prefere muito mais a sua querida cortejar quando a temperatura está baixa, mas quando o termómetro sobe para o alto, e o tempo está quente a escaldar, o senhor das calças não está para romances".

A influência de temperaturas quentes ao nível do insuportável na criação artística não se esgota em ‘Too Darn Hot’, canção composta pelo norte-americano em 1948 para o musical ‘Kiss Me Kate’. Basta recordar o "isto está de ananases" que Eça de Queiroz escreveu em ‘A Correspondência de Fradique Mendes’ e que desde 1900 nunca mais saiu do imaginário coletivo português.

Dessas temperaturas propícias aos frutos tropicais, vividas nestes últimos dias por todos os portugueses que não se fizeram trancar em espaços fechados com ar condicionado, talvez não germinem óperas e bailados, mas há sempre outras artes que se dão bem com o calor.

Vida de rapper
‘All Eyez on Me’, que chega aos cinemas na quinta-feira, conta a história da curta existência do rapper norte-americano Tupac Shakur.

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