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Juízos deprimentes

Pedro Santana Lopes

Juízos deprimentes

Os que mais se queixam da democracia são os que mais contribuem para a desacreditar.
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Por Pedro Santana Lopes|08.12.17
Já tive ocasião de aqui sublinhar que neste espaço não entra, naturalmente, a defesa de posições próprias na competição eleitoral pela liderança do PPD/ PSD. Aquilo de que aqui vou falar respeita às duas candidaturas, já tendo ouvido o outro candidato exprimir defesa semelhante à que aqui vou transmitir.

Há quem escreva que essa competição tem sido deprimente e que nenhum dos candidatos traça nenhuma das matérias mais relevantes, nomeadamente, à relação dos cidadãos com o Estado. Esta situação é das mais clássicas nas democracias e concretamente na democracia Portuguesa. Os profissionais de Comunicação Social reportam o que entendem, transmitem o que entendem, no âmbito da liberdade de Estado. Entendem não reportar as partes das intervenções em que os candidatos falam das tais matérias mais relevantes. E de quem é a culpa? Dos candidatos. Esta possibilidade de os juízes de opinião poderem classificar aquilo que se passa numa disputa eleitoral sem nunca se terem dado ao trabalho de se deslocarem para ouvirem, tem muito que se lhe diga. Se alguém nunca foi ver e ouvir, ou se pelo menos nunca ouviu, como pode opinar? O mais perverso reside no facto de os candidatos passarem 4/5 do seu tempo de intervenção a falar desses temas substanciais, mas os profissionais da Comunicação preferem colocar questões sobre o outro candidato ou, em segundo lugar, comentando a atualidade de cada dia.

Não vale a pena estar aqui a referir os temas que mais são focados nas intervenções por mim proferidas e que acredito que, também sejam, porque se me opõe neste processo eleitoral. Mas em todas as intervenções, as questões do crescimento económico, da produtividade, da reorganização do território, do Estado abusador por contraponto ao Estado respeitador, da libertação da Sociedade, do peso asfixiante do Estado, da adoção de uma política fiscal ousada que atraia o investimento, da inovação e da investigação, da importância de atrair e fixar talentos, das políticas sociais, principalmente na área da Saúde, são temas presentes todos os dias nas intervenções. Ora, quem tem escrito ou dito que é desinteressante e que os candidatos não falam de nada relevante são exatamente aqueles que nunca foram ouvir ou que enviam aos candidatos questionários com dezenas de perguntas sobre futilidades. A perversão de tudo isto reside também no facto de aqueles que mais se queixam da qualidade da Democracia serem aqueles que, por vezes, mais contribuem para a desacreditar.

Felizmente para os juízes de opinião, quando escrevem não têm os seus textos truncados. Têm sempre a garantia de que, quando são bons, muita gente os lê. O mesmo privilégio não tem quem é candidato. Só é transmitido aquilo que os outros querem.

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