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Natal sem sapatinho

Paulo João Santos

Natal sem sapatinho

Chegou o Natal das luzes, das árvores pejadas de enfeites, da euforia consumista, do velhinho que anda de trenó.
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Por Paulo João Santos|07.12.17
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Chegou o Natal das luzes, das árvores pejadas de enfeites, da euforia consumista, do velhinho que anda de trenó a distribuir presentes pelas crianças. Do Natal sem Menino Jesus. Sinais dos tempos de um tempo empenhado em apagar a História e atropelar a origem das coisas.

Bento XVI bem se esforçou por combater este Natal das prendas e prendinhas, que apelidou de "festa do comércio", do brilho das lâmpadas que ofusca a luz interior, da invenção do homem das barbas, que conquistou o lugar do presépio, deste folclore sem sentido, despojado da verdadeira essência do Nascimento.

De nada valeram as palavras de Joseph Aloisius Ratzinger. O Natal foi tomado de assalto pelo vírus da febre das compras, boa parte delas destinadas a arrumar numa qualquer prateleira, ou na terceira gaveta do armário, à espera do pó e do esquecimento.

Sendo inútil remar contra a maré, correndo o risco de ser gozado e, até, insultado, todo e qualquer que tente explicar o que é, de facto, o Natal e a razão de ser da sua existência, resta expressar o desejo de que as almas mais carinhosas levem algum conforto - sobretudo espiritual - àqueles a quem a vida virou as costas.

Aos que perderam o sapatinho.

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