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Nem todos mudam com o tempo

Eduardo Cintra Torres

Nem todos mudam com o tempo

Não concebem que a poesia escrita em conjunto com a música é poesia também, e pode ser extraordinária.
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Por Eduardo Cintra Torres|16.10.16
A literatura, felizmente, apaixona. O anúncio do Nobel da Literatura origina inflamadas reacções porque todos querem que o júri premeie um autor cuja obra apreciam. Assim aconteceu com o Nobel para Bob Dylan. Alguns escritores e estudiosos portugueses ficaram em choque. "Digam-me que é aldrabice", escreveu a escritora Alice Vieira. "Palhaçada", escreveu o escritor Bruno Vieira Amaral.

Têm alguns uma concepção de literatura que se reduz aos livros como eles os escrevem: romances, novelas e contos; e poesia divulgada apenas em forma de livro. Não aceitam o prémio maior da literatura para outras formas de criar génio e beleza com palavras, como Dylan faz há mais de meio século.

Acham que o júri foi atrás das massas populares, porque Dylan é popular; e da indústria cultural da música, porque Dylan é compositor e intérprete; e como se eles não estivessem também na indústria cultural do livro. O Nobel deveria ser para alguém da coutada, de que Dylan nunca fez nem nunca quis fazer parte. Não concebem que a poesia escrita em conjunto com a música é poesia também, e pode ser extraordinária, como a de Dylan. Conservadores, não conseguem ver o génio.

Esta atitude faz parte da vida cultural. Durante séculos, a cultura esteve associada a uma elite de criadores, mas a explosão mediática proporcionada pelas novas técnicas — jornal, disco, audiovisual — motivou uma explosão demótica deslocando essa elite para segundo plano da atenção da sociedade, que alcandorou os criadores populares.

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