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O caso do Eng. Sócrates & Sr. José

José Diogo Quintela

O caso do Eng. Sócrates & Sr. José

Para alguém que se deixa comprar com tanta facilidade, Sócrates é impagável.
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Por José Diogo Quintela|11.11.17
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Nos momentos felizes, a mão anda sozinha. A cabeça está a ver ao longe e fica contente, porque são as palavras certas que a cabeça não encontraria. É a mão." António Lobo Antunes descreve assim a relação entre o autor e o seu dom. Um processo inacessível, mesmo aos académicos, dada a impossibilidade de observação directa.

Até hoje. O lançamento de mais um livro de José Sócrates é pretexto para revisitar, na Operação Marquês, pormenores sobre a redacção das suas obras. Escuta-se ali, pela primeira vez, o diálogo íntimo entre o escritor e o seu génio. Aquilo a que Lobo Antunes chama 'a mão' e que Sócrates chama 'Domingos Farinho'. Lobo Antunes recebe a inspiração no inconsciente, Sócrates é no inbox.

São cavaqueiras fascinantes. Às tantas, Farinho revela a Sócrates: 'Deixei a amarelo as partes novas, para revermos.' O autor informa o autor das partes que o autor redigiu sem o autor saber, para que o autor e o autor as revejam. Notável, ainda que esquizofrénico.

O talento desce do pedestal, humaniza-se. 'A mão' soa a misticismo, mas sabemos agora que é terrena e preocupa-se com detalhes comezinhos como a formatação do Word. Camões rogava inspiração às musas; tão genial, porém mais pragmático, Sócrates pede o nome de um tradutor de francês. Se devemos 'Os Lusíadas' às Tágides, a obra de Sócrates deve-se às Farináceas.

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