O Estado mau patrão

João Vaz

O Estado mau patrão

A presença do Estado como accionista e administrador de empresas é uma fonte infindável de problemas. Até dá para o corte de refeições à borla para reformados na EDP se tornar num sintoma de perda de vantagens sociais dos trabalhadores em Portugal.
  • 0
  • 0
Por João Vaz|29.08.07
  • partilhe
  • 0
  • 0
O Estado mau patrão
A medida é um mau exemplo em todos os aspectos. Primeiro porque só do Estado-patrão podia surgir tão insustentável benesse. Pertence ao domínio do não razoável, tal qual os aumentos de vencimentos dos administradores públicos desencadeados pelos próprios, sem olharem sequer para as contas das empresas. Segundo, porque o corte da regalia suscita quebra de confiança e desmobilização.
O mais incómodo é que a EDP tem o Estado como principal accionista. Com a Parpública e Caixa Geral de Depósitos soma 25%. E de forma iníqua aparecem a seguir os espanhóis da Iberdola e Caja de Astúrias. Se não é o Estado, serão os espanhóis que tiram o prato aos reformados? E já agora: se a benesse não tem interessados, por que é que se corta?
Perante a insensibilidade do Estado-patrão, as loas ao Estado social soam a patranhas. É inaceitável que os sucessivos governos baralhem os portugueses com uma cultura de crise que só serve para justificar uma intervenção inaceitável na economia. O que o Estado deve ter é um papel regulador. Assegurar a liberdade, a justiça e mobilizar a solidariedade. Como patrão, já se viu, só faz o que não deve.
Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!

Subscrever newsletter

newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)