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O mito de Fidel

Francisco Moita Flores

O mito de Fidel

Deixou de ser homem e passou a ser um mito. Odiado, amado, ninguém lhe ficou indiferente.
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Por Francisco Moita Flores|27.11.16
Quando ainda era um jovem advogado, já em conflito com a ditadura de Fulgencia Batista, um bonifrate político ao serviço do que de mais hediondo havia no capital americano, prostituição, jogo, interesses de políticos corruptos, de mafiosos, Fidel Castro foi preso e julgado. Ele próprio assumiu a sua defesa e, dos argumentos expostos ao tribunal da ditadura cubana, saiu um livro com o título ‘A História me absolverá!’.

Esse livrinho, nos anos sessenta e setenta, fazia parte das bibliotecas de jovens de todo o mundo que, nele e em Che Guevara, projetaram a construção mítica dos heróis românticos dos nossos dias. Fidel, ‘el comandante’, foi fixado num determinado tempo histórico, como símbolo de generosidade, de solidariedade ativa com os mais desfavorecidos. Homens, como Fidel, foram amados e, sobretudo, idolatrados por milhões de jovens em revolta contra o apodrecimento político. Como refere Roland Barthes, estes mitos são ‘falas’ da História.

Pouco importa o posterior percurso de vida. Se perverteram os princípios pelos quais lutavam, se desistiram e ‘aburguesaram’, se o anseio de liberdade que ecoava nas suas palavras e acções se transformou em ditaduras. A descida da Sierra Maestra, a tomada de Havana (que Copolla assinala fabulosamente num dos filmes da série ‘O Padrinho’) e a resistência e vitória sobre os velhos tiranos na Baía dos Porcos, projetaram Fidel Castro como uma das mais extraordinárias figuras da segunda metade do séc. XX. Deixou de ser homem e passou a ser um mito.

Odiado, amado, ninguém lhe ficou indiferente. Até em símbolo turístico, como ainda há pouco tempo a visita de Marcelo Rebelo de Sousa vincou. Creio que a História não vai ser benévola para com os anos do seu regime, que se prolongou para além do anseio de liberdade. Mas absolveu-o e libertou-o para a imortalidade quando era um combatente pela liberdade, contra o vício e a corrupção. A História o absolverá!
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