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O nosso mapa cor de cinza

Leonardo Ralha

O nosso mapa cor de cinza

Em cada morte no incêndio de Pedrógão Grande há duas tragédias: o sofrimento de quem ficou encurralado pelas chamas e a falência coletiva do País deixado para trás.
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Por Leonardo Ralha|20.06.17
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Em cada morte no incêndio de Pedrógão Grande há duas tragédias: o sofrimento de quem ficou encurralado pelas chamas e a falência coletiva do País deixado para trás.

Aquele em que dezenas morreram porque o Estado cobrador de impostos que já não assegurava escolas e cuidados de saúde perto das aldeias que insistiam em povoar também não garantiu estradas à prova de fogo e a chegada de socorro.

Algumas dessas aldeias são agora ruínas, agravando o abandono de uma parte do território nacional.

No final do século XIX, já depois de Portugal revelar o ‘mapa cor de rosa’, que tentava assegurar direitos sobre territórios entre Angola e Moçambique apresentando vestígios arqueológicos como prova, o marquês de Salisbury, primeiro-ministro da rainha Vitória, deu a resposta humilhante que precedeu o Ultimato Britânico: "Fortes em ruínas, que nunca foram reconstruídos ou substituídos, só podem provar, se algo provam, que pelo que respeita a esse território a soberania de que eram instrumento e garantia está em ruínas também."

Substitua-se África por Pedrógão Grande e temos, no início do século XXI, a triste realidade do nosso mapa cor de cinza.

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