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O nosso primeiro olhar

Padre António Rego

O nosso primeiro olhar

Vamos aprendendo que o risco mora no nosso prédio, no nosso andar, na nossa casa.
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Por Padre António Rego|16.06.17
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Continuam nos nossos olhos as imagens daquela torre de Londres, que, num primeiro momento, lembrava as duas torres de Nova Iorque. E percebemos como, num país e numa cidade onde tudo parece planeado, tudo pode falhar na hora exata em que deveria cumprir.

É este o primeiro comentário que se escuta dos analistas, que até ao dia seguinte desconheciam as causas duma catástrofe onde o mais grave foi a perda de vidas humanas. Sempre que um acontecimento desta ordem nos bate à porta, tem, como primeiro efeito, o esquecimento do anterior. E a tentação imensa de dar lugar prioritário ao espetáculo que será trabalhado certamente em filmes cujo guião já está escrito.

Este é um caso que nos ensina a não olhar uma tragédia como grande acontecimento mediático que, pela dor, entretém os espectadores e os desvia dos seus pequenos ou grandes dramas. E aqui entramos no consumo ou produção diária de informação, escrita ou audiovisual. Como visitamos as muitas páginas que nos são oferecidas pelo universo digital fazendo-nos perder o foco do essencial para pesquisarmos, abrirmos e aceitarmos o que melhor embala o que em nós não é o melhor.

A visão cristã do mundo oferece-nos um prisma que ultrapassa a curiosidade mórbida que tantas vezes estimula o nosso olhar e infeta o nosso coração de afetos e opções que estão longe da nossa dignidade. Se tivesse ardido uma floresta algures no sul do planeta, e mesmo que lá houvesse vítimas, sem ser captada por cem ângulos de televisão, teríamos mais um "insignificante acidente" onde algumas pessoas perderam a vida.

Estamos sempre a aprender. Com a vida, com qualquer vida humana, todos os cuidados são poucos. E vamos percebendo que o risco mora no nosso prédio, no nosso andar, na nossa casa. Ou na rua em frente. Onde quer que estejamos. Mas a vida humana vale mais que todos os arranha-céus do mundo.
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