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Oitava palavra

Padre António Rego

Oitava palavra

Não é uma fuga, é um encontro, uma resposta: a ressurreição. contas de Deus.
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Por Padre António Rego|21.04.17
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Ficaram-me regravadas as últimas palavras de Cristo que Luís Miguel Cintra fez ressoar a partir do próprio coração num gesto mais celebrativo que de proclamação. Uma Igreja imaculada como arca de beleza a deixar ressoar um quarteto de cordas revelando o esplendor doloroso de Haydn.

E as Sete Palavras que parecendo de morte e fim, já desenhavam a ressurreição que contornou o túmulo que guardava, como longínquas, as palavras que a vida já tinha vencido. "Tenho sede, tudo está consumado. Nas tuas mãos entrego o meu espírito." É serenidade do mistério de Sexta-feira Santa que se prende a esse silêncio vazio de Sábado Santo. Perdemos a vontade de esperar. Três dias é muito tempo para a dúvida. Não sabemos por onde anda a sua túnica e onde se perdeu o resto das suas vestes.

Sabemos que ele ficara despido, despojado de tudo, sem sinais do divino, que era o que o distinguia de nós, a par dum espírito que nem por um momento cedeu às sereias do mal.

E parece que, cabisbaixos, todos se afastavam, carregando nos cravos que já não o magoavam. Gélida, a sua carne desceu aos braços da Mãe, sem esboço de esperança. Perdeu-se o eco das sete palavras e o perdão que propôs setenta vezes sete.

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