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Que se passa connosco?

Baptista-Bastos

Que se passa connosco?

Lê-se pouco, muito pouco, aqueles dos autores que nos ensinaram a entender o mundo.
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Por Baptista-Bastos|19.10.16
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Deixou de se ler os grandes autores. Há uma confusão latente nas escolhas e nas preferências. No entanto, houve tempo, em Portugal, que a leitura era uma coadjuvante que parecia colmatar as nossas pequenas angústias. Pertenço a esse tempo malfadado. E tudo indica que o revolutear dos anos não conseguiu alterar a urgência que há em ler, em discutir com os amigos o conteúdo das coisas.

O Presidente Marcelo insistiu, há dias, na ausência de interesse pela leitura, e na necessidade de se inverter essa tendência. Lê-se pouco, muito pouco, aqueles dos autores que nos ensinaram a entender o mundo e os homens. E há, em demasia, programas sobre futebol, que constituem enxúndias de destroços morais e mentais.

Estive doente durante quinze dias e apercebi-me do vazio inextrincavelmente ligado à ausência de conflito de que as televisões são espelho e regra. O futebol é tido e havido como a custódia das nossas urgências. E, com um mínimo de atenção, verificamos que o futebol tomou conta das nossas vidas, criando uma tensão peculiar que faz com que os seus mais fanáticos utentes e consumidores se ausentem dos aspectos mais prementes e complexos da suas vidas.

Os mecanismos do poder moderno e da arte de governar dissolvem as questões essenciais, centradas nos aspectos mais supérfluos do nosso viver. Sei muito bem que o desvio dessas imposições conduz a resultados imprevisíveis.

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