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Será o FMI nosso amigo?

Miguel Alexandre Ganhão

Será o FMI nosso amigo?

Mas que razões tem o FMI para estar tão otimista em relação a Portugal?
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O último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) é surpreendente pelos elogios que a instituição liderada por Christine Lagarde faz ao Governo de António Costa. Expressões como "progressos notáveis", "aceleração da economia" ou "impressionante consolidação" polvilham os vários documentos sobre a economia portuguesa, que foram ontem libertados pela instituição com sede em Washington.

Mas que razões tem o FMI para estar tão otimista em relação a Portugal?

A principal prende-se, tão simplesmente, com o pagamento antecipado dos empréstimos concedidos. O próprio diretor executivo do FMI para Portugal, o senhor Cottarelli, é sincero nesse aspeto: dos 26,3 mil milhões de euros emprestados pelo FMI em 2011, o nosso país já pagou 63% desse valor, e prevê-se que, até 2019, continuem as amortizações antecipadas. Ou seja, o FMI é um credor contente. A quem o devedor paga, não só a tempo e horas, mas antecipadamente!

Com este pressuposto em mente, todas as recomendações daquele organismo serão relativizadas à capacidade do nosso país continuar a realizar os pagamentos devidos.
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