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Serenidade na Fé

Pedro Santana Lopes

Serenidade na Fé

A visita do Papa Francisco a Fátima ajudou quer os que têm fé quer os que não têm.
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Por Pedro Santana Lopes|19.05.17
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Há que dar o devido destaque a um balanço das cerimónias do centenário de Fátima e da visita do Papa Francisco. Antes de mais, dizer, como tem sido comummente reconhecido em muitas conversas que ouço, a organização parece ter sido excelente, sob todos os pontos de vista. Depois, há que sublinhar a excelente cobertura televisiva dos vários canais, só havendo uma nota que merece, em minha opinião, reparo, que foi a de quem estava a fazer a locução não ter respeitado integralmente os intensos e significativos momentos de silêncio que se fizeram sentir no Santuário a acompanhar os dois momentos de oração do Papa junto da Imagem da Nossa Senhora de Fátima. Há que destacar ainda que a Igreja, e especialmente o Papa Francisco, procurou fazer o enquadramento, o aprofundamento ou a interpretação evolutiva – chame-se como se quiser – do significado de Fátima, do acontecimento religioso ocorrido há um século e da devoção desde então existente.

Manifestamente, as palavras oficiais foram no sentido de evitar a questão de especificar se foram aparições ou se foi visão, ou que tipo de aparição foi ou que tipo de visão foi. O Papa procurou salientar que aquilo que conta é que Fátima é um local, um espaço, onde as pessoas que o procuram se sentem sob o manto protetor de Nossa Senhora e sentem igualmente um apelo especial de Fé e de ligação com a Virgem Maria e com o seu Filho, Jesus Cristo. Para além disso, o Papa Francisco fez questão de lembrar que Nossa Senhora de Fátima não deve ser procurada como aquela que pode resolver isto e aquilo, por mais fundado, legítimo e sofrido que seja o "isto" ou o "aquilo", mas antes, como a Mãe de Deus a quem queremos louvar, dar graças, e também, naturalmente, pedir proteção.

Toda esta linha sobre Fátima insere-se no que tem sido o percurso do Papa Francisco enquanto Chefe da Igreja Católica, de trabalhar no sentido da aproximação com os crentes, mas também com os não crentes. Trata-se de uma linha não de racionalização, liderada por um Papa jesuíta, mas de procura de uma certa razão da Fé, ou compreensão da Fé, sempre numa base de proximidade com as pessoas. Esses são os dois lados muito interessantes que caracterizam o Papa Francisco. Por um lado, uma grande simplicidade e uma grande proximidade com as pessoas comuns, digamos assim, e por outro, uma distância serena e ponderada sobre as manifestações coletivas mais expressivas, ou sobre quadros jurídicos talvez ultrapassados, ou sobre radicalismos sem sentido.

A visita do Papa Francisco a Fátima ajudou, quer os que têm Fé, quer os que não a têm, a compreender melhor o que esse Dom significa. E que bonito foi ver o Santo Padre a acenar com o lenço branco na Procissão do Adeus à Virgem.

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