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Síndrome de Hamlet

Francisco J. Gonçalves

Síndrome de Hamlet

A possível reconquista de Mossul levou um responsável da UE a falar do risco de radicais em fuga invadirem a Europa.
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Por Francisco J. Gonçalves|19.10.16
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O Daesh está à beira de perder Mossul, bastião de onde declarou, em 2014, a criação de um califado na Síria e no Iraque. Mas a possível reconquista da cidade, longe de suscitar esperança, levou um responsável da UE a falar do risco de radicais em fuga invadirem a Europa e agências humanitárias a anteciparem a maior crise criada pelo Homem nos tempos mais recentes.

Ler as coisas assim, sem preparação, leva a pensar que, pior do que perder a guerra contra o Daesh é ganhá-la. E não se pense que o raciocínio é inaudito. Basta pensar na tinta que correu a condenar a intervenção nos Balcãs, nos anos 90, depois de outra tanta ter corrido para condenar a passividade europeia ante o massacre que tinha lugar em plena Europa.

Este tipo de pensamento autofágico parece-me tão perigoso como o risco do possível êxodo de radicais ou a crise humanitária que aí vem. É que os radicais já estão entre nós e a crise humanitária já existe e vê-se todos os dias nos caixões que navegam no Mediterrâneo sob a forma de barcaças sobrelotadas.

Não parece acertado, por isso, alimentarmos o eterno solilóquio de Hamlet, debatendo a magna questão de "ser ou não ser".
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