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Sonolentos hoje, criminosos amanhã

Fernando Ilharco

Sonolentos hoje, criminosos amanhã

Os adolescentes sonolentos, que se sentem cansados a meio da tarde, têm probabilidades de cometer crimes na idade adulta quatro vezes mais altas do que as dos jovens que dormem bem.
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Por Fernando Ilharco|12.11.17
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Por um lado, os comportamentos anti-sociais na adolescência são mais prováveis nos jovens que dormem mal e que regularmente se sentem cansados a meio do dia. Por outro lado, e mais surpreendente, é que o cansaço e a sonolência dos adolescentes foram ligados num estudo recente à prática de crimes na idade adulta.

A investigação, publicada na revista ‘Journal of Child Psychology and Psychiatry’, foi levada a cabo ao longo de mais de quinze anos pelas universidades de York, em Inglaterra, e da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e envolveu mais de cem pessoas, desde os seus quinze/dezasseis anos de idade até à idade adulta, aos trinta e poucos anos. No início do estudo observou-se e registou-se a vida dos adolescentes em termos de sonolência, cansaço durante o dia e comportamentos anti-sociais. Catorze anos depois, os investigadores consultaram   os   arquivos   do   Registo   Criminal Central de Londres, focando-se em crimes violentos, procurando eventuais registos relativos aos cem adolescentes em estudo. Foi descoberta   uma   relação   entre   comportamentos anti-sociais na adolescência e a predisposição para o crime na idade adulta. A relação, no entanto, é complexa.

A sonolência durante o dia, que pode ser influenciada pelas condições sociais, em geral reduz a qualidade das funções cerebrais. Diminui a atenção, a capacidade de concentração e de focagem ao longo do dia. Por outro lado viver em ambientes incertos, tantas vezes marcados por mudanças inesperadas, em termos familiares, na vida estudantil ou social, tende a desenvolver no jovem a valorização do curto prazo, a procura de recompensas imediatas e a não incentivar o adiar da satisfação e o planeamento. Estes dois aspectos na adolescência, menor capacidade de concentração e a preocupação de obter recompensas imediatas, podem vir a facilitar a prática de crime muitos anos mais tarde.

Trata-se da primeira investigação sobre este assunto realizada ao longo de um tempo longo, mais de 15 anos. As descobertas no entanto são consistentes com a ideia aceite na comunidade científica de que a ligação entre a adversidade social e a prática do crime é, em parte, explicada pela sonolência.

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