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Tendência de Paris

João Vaz

Tendência de Paris

Na política, como no futebol, o mais indicado é adiar os prognósticos para o fim do jogo.
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Por João Vaz|17.05.17
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Em Portugal, regalamo-nos com o radicalismo suave. É assim que António Costa governa apoiado no BE e PCP. Para os próximos tempos, Paris anuncia, porém, uma nova tendência: vêm aí os "violentamente moderados".

O perfil foi desenhado na transição de poderes para o primeiro-ministro francês Edouard Philippe. O antecessor no cargo glosou a origem normanda (norte de França) do novo líder para estabelecer uma ponte política. "Os normandos são violentamente moderados", sublinhou, citando Alexis de Tocqueville (1805-1859), político e pensador francês, autor de ‘A Democracia na América’ e primeiro a utilizar o termo social-democrata.

A citação foi um apelo ao centro entre a esquerda que sai do governo e a direita disponível para dar o melhor. Outro entendimento não é pertinente, mesmo estando a falar diante de um tipo de 1 metro e 95 que treina boxe três vezes por semana e já se opôs com o físico a uma tentativa do baixote ex-presidente Nicolas Sarkozy tomar de assalto um congresso do UMP. O aspeto físico de Edouard Philippe acentua de qualquer modo o conteúdo da citação "violentamente moderados". O presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro que escolheu não querem perder a aposta de juntar o melhor da direita e da esquerda e acabar atolados na chacota dos dois lados do espetro partidário. Falta saber se conseguirão.

Na política, como no futebol, o mais indicado é adiar os prognósticos para o fim do jogo. A alternativa Macron dos "violentamente moderados" ainda nem sequer tem sustentação partidária na Assembleia e no Senado de França. As eleições são apenas em meados de junho. Ele mostra-se, entretanto, capaz de ir por aí adiante, à bolina, na refundação da União Europeia que lançou, anteontem, em Berlim, com beneplácito de Merkel. A nova tendência de Paris pode acabar com a moda radical de sair do euro e da UE.
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