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Viagens da treta

Francisco Moita Flores

Viagens da treta

Não se pode aceitar que um ano depois do escândalo o Ministério público interfira na política.
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Por Francisco Moita Flores|16.07.17
Se isto fosse uma Justiça a sério, a questão das viagens dos Secretários de Estado ao Europeu, que tanto brado deram o ano passado, faria duas coisas. De imediato, os constituía arguidos, pois que a prova é direta sem precisar de investigação e, ao mesmo tempo, lançava uma pesquisa para saber, em todas as Agências de Viagens, quantos governantes, administradores de empresas públicas, assessores e adjuntos do governo tinham viajado por conta de empresas privadas, nos últimos cinco ou dez anos, para festas, eventos desportivos, congressos e feiras. Não tenho dúvidas que restaria um punhado de impolutos e estariam centenas de indivíduos constituídos arguidos e a caminho dos bancos dos réus.

Porém, isto que acaba de acontecer com estes Secretários de Estado não se faz. Não se pode aceitar que um ano depois do escândalo, sublinho, um ano depois, o Ministério Público interfira desta forma na vida política. Ou o tinha feito em tempo útil e procurava saber quem mais anda envolvido nestes favores pessoais ou agora, sem ser necessária mais prova do que aquela que já existia há um ano, esta ação só pode ser confundida com a perversão que o MP tantas vezes denuncia ou acautela. Não quer que o poder político exerça qualquer influência sobre o seu magistério.

Acho bem. Porém, não se admite que façam o contrário e seja o poder judicial a condicionar inexplicavelmente o poder político. Não é aceitável. Até fica a ideia de que esta constituição de arguidos, numa altura em que o governo está fragilizado, condicionou uma remodelação governamental e parece surgir como uma ameaça, do género, ou atendem às nossas reivindicações ou há mais arguidos e mais remodelações por nossa conta e risco.

Estes caprichos judiciais pagam-se caro. E o pagante é sempre o mesmo: o mexilhão que não faz viagens e paga sempre. Para que os senhores do poder mantenham cumplicidades e compadrios. Não é justo.

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