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Jantar à luz das velas no Panteão gera revolta

Governo proíbe festas no monumento. Fundador da Web Summit pediu desculpa aos portugueses pelo jantar.
11.11.17
O gabinete do Primeiro-Ministro já emitiu um comunicado acerca da polémica relacionada com a utilização do Panteão Nacional para comemorar o encerramento da Web Summit, a maior feira de tecnologia da Europa. Para o Executivo, a "utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos".
"Apesar de enquadrado legalmente, através de despacho proferido pelo anterior Governo, é ofensivo utilizar deste modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional", reforçou a mesma nota do gabinete de António Costa.

O Primeiro-Ministro quer ainda evitar que o monumento volte a ser usado para eventos como aquele que decorreu na noite desta sexta-feira: 
"Tal como já foi divulgado pelo Ministério da Cultura, o Governo procederá à alteração do referido despacho, para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória colectiva e os símbolos nacionais".

O fundador da Web Summit já pediu desculpa pelo jantar no Panteão Nacional no twitter e afirma que o jantar foi organizado de acordo com as "regras" e com "respeito". 

Paddy Cosgrave lamenta o que aconteceu e explica que adora Portugal como "uma segunda casa". "Nunca ofenderia os grandes heróis do passado de Portugal", escreveu.




Ministro da Cultura proíbe eventos festivos no Panteão
O Ministro da Cultura, entende determinar a proibição de realização de eventos de natureza festiva no Corpo Central do Panteão Nacional.

"O Ministério Público não permitirá que a utilização para eventos públicos dos monumentos nacionais possa pôr em causa o carácter e a dignidade e as próprias de cada um desses monumentos", lê-se num comunicado enviado às redações. 

Marcelo diz que Panteão não é o espaço adequado para festas
Marcelo Rebelo de Sousa defendeu este sábado que o uso do Panteão Nacional para um jantar, neste caso, para a comemoração do encerramento da Web Summit, é bem diferente do que utilizar o espaço para o lançamento de um livro, atividade cultural ou concerto.

"A imagem que tenho do Panteão Nacional não é a de um espaço adequado para um jantar nem que seja o jantar mais importante de Estado. "Portanto, se o Governo tomou uma decisão no sentido de isso deixar de ser possível, acho que foi uma decisão muito sensata, muito óbvia, corresponde àquilo que qualquer pessoa com algum bom senso faria nesse caso concreto", referiu o Presidente da República.

Justificação do Governo é "equívoco" e deve assumir responsabilidades por uso do Panteão
O PSD afirmou este sábado que a justificação dada pelo Governo a propósito da utilização do Panteão Nacional para um evento festivo é um "equívoco", desafiando o executivo socialista a assumir responsabilidades por ter autorizado tal facto.

"Julgo que estamos a arredondar num terrível equívoco em relação à justificação canhestra que este Governo, e que o primeiro-ministro em particular, apresenta sobre esta situação", afirmou o vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Social-Democrata (PSD) Sérgio Azevedo, em declarações à agência Lusa.

"Não vale a pena tapar o sol com a peneira e dizer que isto é responsabilidade do governo anterior. Não é verdade. É mentira. Responsabilidade do governo anterior foi a regulamentação da utilização dos espaços culturais. Responsabilidade do senhor primeiro-ministro e do seu Governo foi a autorização concedida à organização do Web Summit para realizar um jantar no Panteão Nacional", frisou o social-democrata.

Jantar de encerramento polémico
Estas posições surgiram após a divulgação de informações nas redes sociais que deram conta da realização de um jantar exclusivo da Web Summit, em que participaram presidentes-executivos, fundadores de empresas e 'startups', investidores de alto nível, entre outras personalidades.

O jantar em questão chama-se 'Founders Summit' e decorreu na sexta-feira em Lisboa, no dia seguinte ao encerramento da cimeira tecnológica. Segundo a organização da Web Summit, nesta segunda edição do evento em Portugal que decorreu entre segunda e quinta-feira na capital portuguesa, participam 59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores, 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo, nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa por três anos, com possibilidade de mais dois de permanência na capital portuguesa.

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  • De Manuel11.11.17
    Em vez do Panteão sugiro o Cemitério do Alto de S. João ou dos Prazeres!
2 Comentários
  • De Manuel12.11.17
    Não sejamos fundamentalistas!
    Os mortos não quereriam ser homenageados com tristeza e choros!
    Melhor fazem os que homenageiam os seus entes queridos com festas e banquetes nos cemitérios.
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  • De Manuel11.11.17
    Em vez do Panteão sugiro o Cemitério do Alto de S. João ou dos Prazeres!
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