Sebastião substitui Mateus

Manuel Sebastião, membro da administração do Banco de Portugal, foi ontem nomeado pelo Governo presidente da Autoridade da Concorrência (AdC). O ainda administrador sucede desta forma a Abel Mateus, cujo mandato de cinco anos termina na próxima segunda-feira.
21.03.08
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Sebastião substitui Mateus
Governo decidiu não reconduzir Abel Mateus para novo mandato Foto Jorge Paula
O nome foi decidido em Conselho de Ministros, que aprovou ainda a nomeação de Jaime Andrez, presidente do IAPMEI, e de João Espírito Santo Noronha, especialista em Direito Comercial, como vogais da Autoridade da Concorrência. O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, considera que os novos membros garantem "competência técnica" e "idoneidade nos cargos" e que "nos fazem ter as melhores esperanças nestes cargos tão importantes".
O PSD, nas palavras do vice-presidente do grupo parlamentar, Patinha Antão, lamenta que o Governo não tenha optado pela renovação do mandato da equipa de Abel Mateus. "O PSD não comenta o nome do novo presidente da AdC. Mas consideramos que o Governo andou mal ao não renovar o mandato da equipa que pôs de pé a AdC", afirmou Patinha Antão, que sublinha ainda o "trabalho assinalável" desenvolvido por Abel Mateus.
Opiniãodiferente tem António Saleiro, presidente da Associação dos Revendedores da Petrogal (ARCPN), que garante que Abel Mateus "não poderia ser reconduzido" e que a decisão do Governo "só pecou por ser tardia". O dirigente é muito crítico da actuação da AdC liderada por Abel Mateus e diz acreditar que "qualquer pessoa teria feito melhor". Saleiro realça ainda o facto de a AdC não ter conseguido provar a concertação de preços nos combustíveis e, por inerência, ser a principal responsável pelos sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis. "Se com os novos membros a AdC mudar para melhor, espero assistir a uma redução dos preços da gasolina e gasóleo", afirmou.
O ex-secretário de Estado, António Nogueira Leite, considera que Manuel Sebastião está bem preparado para o cargo devido à maior experiência que tem relativamente ao seu antecessor. Nogueira Leite também critica Abel Mateus, que considera ter sido um presidente que "falou mais e fez menos", sublinhando ainda o que considera ter sido uma má gestão dos processos da OPA do BCP e da OPA da PT.
Os elogios ao ainda administrador do Banco de Portugal também vieram da parte de Mira Amaral, antigo ministro da Indústria e Energia. "É um dos economistas portuguesesmaisbrilhantese completos e, por isso, felicito o Governo pela escolha que fez", afirmou Mira Amaral. – *com Lusa l
PERFIL
Manuel Sebastião, nascido em Angola, de 59 anos, e licenciado em Economia pela Universidade Técnica de Lisboa em 1973, era, até agora, administrador do Banco de Portugal, cargo que ocupava desde 2000, integrando a equipa do governador Vítor Constâncio. A partir de segunda vai liderar o regulador que é o garante de uma economia de mercado e de livre concorrência.
"É A APOSTA CERTA PARA O CARGO" 
O bastonário da Ordem dos Economistas, Murteira Nabo, considera que o novo presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), Manuel Sebastião, é uma "aposta certa" para um cargo que exige "grande reflexão, ponderação e capacidade de compromisso". Segundo Murteira Nabo, trata-se de um "homem de muito bom senso e uma pessoa de equilíbrios, muito calma, muito segura, muito prudente, muito ponderada e muito qualificada" e, por isso mesmo, "para o cargo é a aposta certa", sublinhou.
O bastonário aponta ainda que Manuel Sebastião, que esteve ligado ao Banco de Portugal durante mais de 20 anos, "é um excelente profissional e uma excelente escolha porque esse lugar exige grande reflexão".
Esta nomeação para presidente da Autoridade da Concorrência levará o Governo a anunciar, em breve, novas nomeações para a Administração do Banco de Portugal (BdP). A lei orgânica do BdP diz que o conselho de administração é composto pelo governador, por um ou dois vice-governadores e por três a cinco administradores, sendo que com a saída de Manuel Sebastião ficam apenas dois administradores. O Ministério das Finanças garante que as alterações serão anunciadas oportunamente.



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