A capital da juventude

A viagem durou 42 horas de carro, mas apesar do cansaço, os quatro polacos – Mariusz, Malgorzata, Anna e Iwona, todos de 25 anos – sorriem e explicam os que os trouxe de Austerlitz a Lisboa: “A necessidade de paz, conhecer pessoas de outros países, porque gostamos de conviver”. São apenas quatro dos 40 mil participantes no Encontro Europeu de Jovens/ Taizé, que este ano realiza-se em Lisboa.
27.12.04
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A FIL (Parque das Nações) é o centro das operações de todo um aparelho organizado ao milímetro. Ontem foi o dia da chegada dos dois mil voluntários que vão ter uma missão – ajudar e orientar os outros 38 mil que chegam a partir de amanhã.
Jesus Sanz e Lucia Caleya vieram de Guadalajara (Espanha) e já são presenças habituais nos encontros Taizé. “Os meus pais levavam-me quando era mais nova e gostei sempre do convívio”, explica Lucia. Jesus vai dedilhando uma guitarra, enquanto tentam procurar no mapa da cidade onde é que fica a paróquia da Bela Vista. Os participantes chegam a Lisboa pelos próprios meios, quase todos em grupos. Do Porto vieram 14. Ricardo Tavares é o coordenador. Aos 30 anos, o professor de Religião e Moral afirma que já conheceu noutros encontros “muitos ateus”. Ainda não sabe qual será a sua função, mas deve passar pela animação cultural numa das várias paróquias que recebe jovens.
HOSPITALIDADE PORTUGUESA
A paróquia do Cristo Rei, na Portela de Sacavém, é uma das mais “dinâmicas”, nas palavras do irmão Émile, um dos monges de Taizé em Lisboa. Na igreja são servidos lanches e começam as primeiras reuniões de animadores. “Dividimo-nos em vários grupos. Uns vão limpar a igreja, outros fazer limpezas e refeições na FIL”, explica Nuno Rodrigo Duarte. O paroquiano espera receber na Portela 400 jovens.
Quem recebe três sérvias em casa é Dolores Silveira. “Não tinha coragem de não abrir a porta”, explicou. Ana e Vesna Petovic (irmãs) e Jovana Todoric, que sabe espanhol, agradecem a hospitalidade.
ACOLHIMENTO
Os milhares de participantes no Encontro Taizé têm o ponto de chegada na FIL (Parque das Nações), onde se registam e recebem a indicação da paróquia que vai recebê-los. Com um mapa da cidade e outro de localização da paróquia nas mãos – como os espanhóis Jesus e Lucia – os jovens vão de metro, autocarro ou táxi para as paróquias. É o caso do Cristo Rei (Portela de Sacavém), onde são recebidos com um lanche e sabem onde vão ficar alojados. As sérvias Ana, Jovana e Vesna estão até dia 1 em casa de Dolores Silveira.
TAIZÉ EM LISBOA
UNIVERSALIDADE
A carta ‘Um Futuro de Paz’, escrita pelo fundador da comunidade de Taizé, irmão Roger, foi traduzida em 55 línguas diferentes. O documento será debatido pelos jovens a partir de amanhã até dia 1 de Janeiro.
ORAÇÃO E DEBATES
O Encontro de Jovens não se resume às orações – todos os dias às 08h30 (paróquias), 13h15 e 19h30 (FIL, pav. 1). Há ‘workshops’ e debates em várias igrejas da capital, traduzidas para várias línguas. Música popular portuguesa, azulejos ou um encontro em bairro de imigrantes estão entre as sugestões do programa.
‘RÉVEILLON’ A REZAR
A passagem-de-ano vai ser um dos pontos altos no Encontro Taizé, com milhares de jovens a rezar pela paz, na FIL.

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