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A droga que matou Prince já chegou a Portugal

Fentanil, 50 vezes mais potente que a heroína, usado em festas em Lisboa.
11.01.18

A Europa temia e aconteceu: o consumo de fantanil, droga da categoria dos opióides que é 50 vezes mais potente que a heroína, está a tornar-se cada vez mais comum e já chegou a Portugal, segundo a revista SÁBADO. A substância, que só é legal como analgésico de uso hospitalar, em casos de doença aguda ou oncológica, era consumida pelo cantor Prince e é apontada como a causa da morte do artista, ocorrida em abril de 2016.

Segundo a publicação, o fentanil já circula em ‘afters’ (festas após o encerramento das discotecas) na capital e o narcótico atrai consumidores por não provocar os excessos repentinos de energia associados ao ecstasy, nem o sentimento de omnipotência da cocaína.

Quem inala ou injeta fentanil descreve uma sensação de bem-estar e de relaxamento quase imediata, havendo quem sinta ainda "um formigueiro" e relate que deixa de ter vontade de comer, beber ou fumar (daí o seu consumo em festas). O opiáceo propicia ainda uma "viagem astral", em que o sentimento das carícias é potenciado .

O fentanil causa grande adição e tende a causar muitas overdoses. A droga já foi responsável pela morte de 20 mil pessoas nos Estados Unidos da América só em 2016 e, em Vancouver, Canadá, o seu consumo entre pessoas com entre 30 e 40 anos está a ganhar proporções preocupantes.

João Goulão, diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e das Dependências (SICAD) visitou esta cidade canadiana e presencio cenários chocantes. "Vi um indivíduo sentado no chão e outro a injectá-lo no pescoço porque não conseguia encontrar a veia", conta João Goulão à SÁBADO, adiantando que em média, morrem quatro pessoas por dia só em Vancouver por overdoses de fentanil.

O medicamento não é novo, tendo sido aprovado em meio hospitalar em Portugal em 1967, mas o seu consumo como droga recreativa tem aumentado, mesmo apesar de não ser uma droga de fácil acesso. "É uma péssima notícia, pelos riscos que envolve. Em regra o acesso ao fentanil é muito controlado. Se aparece na noite pode ser uma de duas hipóteses: ou um desvio ou comércio pela Internet", explica Luís Patrício, fundador do centro de desintoxicação das Taipas à SÁBADO.

A mesma publicação refere ainda alguns casos de doentes que tomavam fentanil e que ficaram viciados na substância, tomada como analgésico.


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Esclarecimento: Por lapso esteve associada a esta notícia uma embalagem de adesivos de fentanil da marca Sandoz (com comercialização não aprovada em Portugal), que não tem qualquer relação com a notícia em causa ou com o respetivo conteúdo. Pelo facto pedimos desculpa.



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