Animais com trauma dos fogos têm apoio

Voluntários têm encontrado principalmente cães que ficaram afetados após o incêndio.
Por Paula Gonçalves|04.03.18
Os incêndios que atingiram a região centro a 15 de outubro não afetaram apenas as pessoas, deixaram também traumatizados os animais que sobreviveram, sobretudo cães e gatos. Rita Fernandes, voluntária de Coimbra que esteve no terreno com uma equipa de veterinários, diz que todos os animais domésticos que tem acompanhado "ficaram muito traumatizados pelo barulho que o incêndio trouxe". Ao mínimo barulho, "escondem-se com medo", conta a voluntária, que continua a visitar a zona todos os domingos.

O Piloto, um cão de pequeno porte que sofreu queimaduras graves em Vinhó, Arganil, é disso exemplo. Foi encontrado em grande sofrimento e só recuperou após quatro meses de tratamento em Coimbra. "Tinha as patas queimadas, em carne viva e o osso exposto. Acabou por perder as almofadas plantares. Tinha também dificuldades respiratórias por ter inalado ar muito quente e estava bastante traumatizado pela experiência por que passou", conta o veterinário Nuno Cardoso.

Após a recuperação o Piloto foi levado pelos voluntários para visitar o dono Armando Ribeiro, em Vinhó. O reencontro foi emocionante. "Gostei muito de o ver", revela, com lágrimas nos olhos, o proprietário, que perdeu a casa no incêndio. O vizinho João Cardoso, que cuidou do cão logo após o fogo, diz que "o bicho escapou por milagre", mas ficou surpreendido com o seu bom aspeto. "Esteve tão mal e tão assustado. Até nós ficámos, quanto mais os animais", recorda.

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