Beato só daqui a um ano

Ao contrário do que chegou a ser dado como certo, o Papa Bento XVI não dispensou da tramitação legal o processo de beatificação do Papa João Paulo II, que ontem deu entrada na Congregação para a Causa dos Santos. No entanto, afirmou na Missa de Aniversário do falecido Pontífice que “o processo avança de modo expedito”.
03.04.07
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Beato só daqui a um ano
Bento XVI não poupou elogios ao Papa a quem sucedeu Foto Alessandro Bianchi / Reuters
Esta declaração de Bento XVI foi entendida pelos especialistas como uma “mensagem muito clara” quanto à celeridade com que ele quer que o processo decorra.
Apesar de ter em análise, no seu decastéreo, mais de 2200 processos de beatificação e canonização, o cardeal português D. José Saraiva Martins já admitiu que “a beatificação de João Paulo II é um caso especial”.
No entanto, o responsável da Congregação para a Causa dos Santos coloca alguma serenidade na euforia que tem envolvido este caso, sublinhando que “as regras são rigorosas e foram aprovadas precisamente por João Paulo II”.
“Estou certo que gostará de ver essas regras respeitadas e que desejará uma investigação extrema e rigorosa”, afirmou o cardeal português.
No entanto, muitos bispos e cardeais continuam convencidos de que o falecido Papa polaco não chegará a ser beatificado, sendo declarado directamente Santo quando o processo estiver concluído.
Atendendo ao tempo recorde de conclusão da causa em sede diocesana e à “enorme onda popular” que reclama a santidade de Karol Wojtyla, é muito provável que o processo seja analisado, aprovado e levado à homologação do Papa até finais do próximo ano.
Designando João Paulo II como “Servo de Deus”, Bento XVI disse que “este título é particularmente apropriado para ele, que foi um pastor zeloso, corajoso profeta de esperança, pai e guia seguro na fé, testemunha incansável e apaixonado servidor do amor de Deus”.
"ESTAVA DOENTE E ESTOU CURADA"
A irmã Marie Simon-Pierre não tem explicação para o que se passou e, por isso, limita-se a dizer que estava doente e que ficou curada. “Fiquei curada por obra de Deus e, em meu entender, por intercessão de João Paulo II”, disse a alegada miraculada, que ontem foi a grande “estrela viva” da cerimónia de entrega ao Vaticano do processo de beatificação do falecido Papa polaco. A religiosa francesa sofria da doença de Parkinson e, exactamente um mês depois da morte de João Paulo II, ficou curada.
“Ela já não conseguia sequer escrever o nome do Papa e, naquele dia, escreveu João Paulo II com uma letra muito direitinha”, assegurou a superiora do convento de Aix-en-Provence, onde reside a freira mais famosa da actualidade. Depois de sair do anonimato em que permaneceu até à passada sexta-feira, a irmã Maria Simão Pedro (seria assim o seu nome em portugês) foi cumprimentada por centenas de pessoas, em Roma, que a felicitaram por ajudar a levar João Paulo II aos altares. Evitando sempre as afirmações categóricas, como a prudência recomenda, a religiosa disse que “é à Igreja que compete pronunciar-se e reconhecer que se tratou de um milagre”. Preparada para voltar à sua vida conventual, a irmã Marie Simon-Pierre sabe que “em breve”, na cerimónia de beatificação, terá de voltar a Roma.
SAIBA MAIS
EM TEMPO RECORDE
Este está a ser o processo de beatificação mais rápido dos últimos cinco séculos, ou seja, desde que a santidade deixou de ser uma proclamação popular e passou a ser decidida pelo Vaticano. Em apenas dois anos foi concluído o processo diocesano, algo que, em alguns casos, chega a demorar séculos.
DIA DE CERIMÓNIAS
O dia de ontem, dois anos depois da morte de João Paulo II, foi pleno de cerimónias. Começou às 08h00, com uma celebração junto ao túmulo, prosseguiu com o fecho do processo, em S. João de Latrão, e terminou com a Missa de Bento XVI.

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