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Catedráticos atestaram caráter de Salgado

Três professores de Coimbra fizeram pareceres para garantir a idoneidade do presidente do BES.
Por Cristina Rita e Diana Ramos|18.11.14
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Catedráticos atestaram caráter de Salgado
Ex-presidente do BES não vai responder a Carlos Costa sobre a idoneidade bancária Foto josé Manuel ribeiro/Reuters

Foi o tema que dominou a tarde: porque é que o Banco de Portugal não retirou a idoneidade bancária a Ricardo Salgado? A esta pergunta, Carlos Costa não pode dizer mais do que uma confissão de impotência: "Se eu pudesse teria retirado a idoneidade? Eu diria, há muito tempo."

O governador do Banco de Portugal afirmou que "a atual legislação dá poder de pressão, mas não dá poderes de imposição", sublinhando que a jurisprudência do Supremo Tribunal Administrativo tem permitido às instituições financeiras salvaguardarem os seus interesses.

Para garantir que não haveria nenhum ataque à sua capacidade para presidir ao BES, Ricardo Salgado pediu a três professores universitários de Coimbra – Calvão da Silva, Vieira de Andrade e Pedro Maia – para atestarem o seu caráter como banqueiro, em novembro de 2013. Os pareceres terão sido pedidos pelo BES e entregues ao supervisor. Ao CM, Calvão da Silva confirmou que deu um parecer a pedido do banco no final de 2013. O professor não se recorda da data, mas frisou que se cingiu nos factos, ou seja, elaborou o parecer "em função dos elementos de que dispunha". Confrontado pelo CM sobre os valores cobrados, Calvão da Silva diz não se recordar. Afirma, contudo, que em regra cobra entre 20 mil e 35 mil euros por parecer, conforme o caso, e "paga os impostos altíssimos" sobre esses valores. Mais: já teve casos em que emitiu pareceres favoráveis e contra a mesma entidade, assegurando: "Não tenho nada a esconder."

Segundo o governador, o Banco de Portugal não pode atuar sem um processo de contraordenação, mesmo que haja já suspeitas fundadas de gestão pouco sã. Carlos Costa lembrou ainda aos deputados que pediu a alteração desta matéria na revisão do Regime Geral das Instituições de Crédito (RGIC), mas que o Parlamento não aceitou as sugestões do supervisor.

Contactadas pelo Correio da Manhã, fontes ligadas a Ricardo Salgado disseram que o banqueiro não vai responder a Carlos Costa sobre a questão da idoneidade e que "reserva para a sua intervenção junto da comissão de inquérito todos os possíveis esclarecimentos".

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  • De Prof.DoutorRáulIturra18.11.14
    Podem haver pareceres de sábios, catedráticos como eu, mas o delito ecnómico é um crime sem perdão: fere o povo! Especialmente se foge o criminoso
6 Comentários
  • De Evidentemente18.11.14
    Catedráticos do faz de conta num país do faz de conta, é só rir.
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  • De 2ondajovem@gmail.com18.11.14
    HUM! De Coimbra!! Da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra brotam sempre pareceres de catedráticos ÀS DIREITAS, cérebros imaculdos. E, por vezes, professores brilhantes...que descem ao Terreiro do Paço. Lembremos o "BOTAS", nos anos 20 do século passado e, agora, o caso mais recente, a nóvel Ministra da Administração Interna. DITOSA PÁTRIA QUE TAL FACULDADE DE DIREITO TEM!!!
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  • De leonel-pias18.11.14
    o caráter bom num clube de ladrões, será diferente do caráter exigido num clube de cavalheiros, ou não ? !
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  • De ZePortugues18.11.14
    Se os atestados médicos têm um preço pago a quem os passa, há alguém minimamente são de espírito que acredite que estas amostras de atestado de valor pouco credível não foram pagos a peso de ouro fino? E o supervisor era obrigado a aceitar esses atestados? Com papas e bolos se enganam os tolos...
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  • De  Anónimo 18.11.14
    O poder do dinheiro! Estes catedráticos sem ética e pingo de dignidade são os alquimistas do presente que tudo envenenam e desmoralizam. Este homenzinho é um gatuno,onto final. É anti-social e já devia estar na cadeia por muitos anos para que possamos respirar
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