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Desvia 500 mil euros da câmara para prostitutas

O ex-funcionário da Câmara de Pombal, acusado de ter desviado meio milhão de euros de uma conta bancária do município, confessou ontem, em tribunal, que transferiu o dinheiro para as contas pessoais por estar a atravessar dificuldades financeiras e pela vida faustosa que levava – que incluía o jogo e a frequência de bares de alterne.
22.03.11
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Os desvios de verbas foram feitos num período de sete meses, durante o qual atravessou "grandes dificuldades financeiras", disse o arguido, Vítor Leitão, de 56 anos, especificando que se tratou de "uma fase má" da sua vida, em que "gastava muito dinheiro" não só a jogar, mas também em bares nocturnos e casas de alterne. Num dos bares, em Alfeizerão, de que era sócio, despendeu, num período não especificado, mais de 25 mil euros.

Admitiu ainda que cem mil dos 541 mil euros desviados foram gastos com mulheres. Com uma delas, brasileira, manteve um relacionamento extraconjugal e ofereceu-lhe um carro, jóias e electrodomésticos, além de lhe entregar entre 100 e 200 euros por dia. A outras mulheres pagou as contas de telefone, ofereceu brincos e colares e fez transferências de dinheiro.

Na primeira sessão do julgamento, a decorrer em Pombal, Vítor Leitão, que está em prisão preventiva, disse ter sido "iludido por três indivíduos a fazer movimentos" da conta bancária do município para as suas contas pessoais, para fazer investimentos no Brasil e em São Tomé e Príncipe, relacionados com "pedras e diamantes".

O negócio "correu mal, porque as coisas foram detectadas", explicou, adiantando que não recuperou o dinheiro e "nunca mais" viu os indivíduos, que estavam arrolados como testemunhas, mas o tribunal não os conseguiu notificar.

Vítor Leitão, que está a ser julgado por peculato e falsificação de documento, era responsável pela gestão financeira do município e foi demitido no final de 2010, no âmbito de processo disciplinar.

APANHADO POR NOTA FALSA DE 20 EUROS

O desvio de verbas foi detectado quando um outro funcionário do serviço de Contabilidade da autarquia fez uma consulta à conta, para saber se teria sido efectuado um depósito de uma nota falsa de 20 euros. Ao ser confrontado com o extracto bancário, Vítor confessou tudo ao presidente da Câmara Municipal e aos outros funcionários da secção, sendo ouvido ainda nesse dia pela Polícia Judiciária. Três dias depois foi detido em Leiria, quando levantava dinheiro de uma conta pessoal, estando desde então em prisão preventiva. Segundo a Acusação do Ministério Público, Vítor Leitão usou o dinheiro do município para pagar dívidas próprias e contas a fornecedores do Núcleo Sportinguista de Pombal, onde era membro do Conselho Fiscal. A ex--mulher confirmou as transferências para as contas conjuntas.

AUTARCA ADMITE TER ASSINADO DOCUMENTO

O presidente da Câmara de Pombal admitiu ontem, em tribunal, ter assinado o documento que o Ministério Público considera ter sido falsificado pelo arguido, onde figura a assinatura digitalizada do autarca e da tesoureira e que lhe permitia continuar a fazer as transferências sem o banco levantar obstáculos. "Admito ter assinado, uma vez que me passam muitos documentos diariamente pelas mãos, mas não me recordo", disse Narciso Mota. Já a tesoureira municipal, Dina Rodrigues, disse ser a primeira vez que via o documento e reconheceu que a sua assinatura é parecida com a que consta nele.

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