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ESTADO TRAI VÍTIMA DA CASA PIA

João A. e a tia adoptiva Manuela C. nem queriam acreditar no telegrama que receberam na terça-feira: nele são bem legíveis o verdadeiro nome, morada e local de trabalho do ex-aluno da Casa Pia, dados que Catalina Pestana prometeu nunca divulgar.
16.01.03
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Perante tal situação, Manuela C. de imediato alertou o DIAP, o ministro Bagão Félix e a provedora, manifestando a sua revolta pelo facto de um inspector do Ministério do Trabalho e Segurança Social ter intimado João A. a depor no processo disciplinar que Catalina Pestana instaurou a A. P., um dos funcionários da Casa Pia que o violou.

O inspector da Segurança Social chegou ao ponto de ameaçar João A., dizendo que o iria buscar ao local de trabalho acompanhado pela Polícia, segundo referiu ao CM, Manuela C., a tia adoptiva do ex-casapiano que também acusou o embaixador Jorge Ritto de o ter violado no depoimento que fez ao advogado Adelino Granja e que já se encontra na posse do DIAP.

Além dessa ameaça, Manuela C. está indignada com o facto de o inspector da Segurança Social ter convocado João A. através de um telegrama, que é uma “verdadeira carta aberta”. “Nos correios (...) toda a gente ficou a saber como é que o miúdo se chama, bem como a sua morada, que também é a minha. E isso são dados confidenciais que a provedora Catalina Pestana me prometeu que nunca iria divulgar”, acrescentou, frisando: “Curiosamente, no telegrama está toda a identificação do João - até o local de trabalho - mas não consta o nome da pessoa que o violou. É mesmo caso para dizer que protegeram o criminoso em vez da vítima”.

Após ter recebido o telegrama, Manuela C. contactou de imediato a provedora Catalina Pestana - “Mandou a secretária informar-me que não podia falar comigo” -, o DIAP, o ministro Bagão Félix e o inspector da Segurança Social que lhe enviou o telegrama. “O inspector limitou-se a dizer que se eu entendesse reclamar, que o fizesse, dado que ele estava a cumprir a Lei. E disse mais, que a partir de agora eu tinha de falar com a secretária dele.”

Apesar da intimação que recebeu, a tia de João A. garante que o ex-aluno da Casa Pia não irá apresentar-se na Segurança Social. “Enquanto estiver a decorrer a investigação no DIAP ele não presta mais depoimentos. E é isso que vou amanhã dizer aos deputados da Assembleia da República, que também vão ter à disposição o telegrama/carta aberta que foi enviado ao João.”

Manuela C. fez também questão de afirmar que João A. não está em condições psicológicas de, por enquanto, repetir os “horrores” que passou na Casa Pia. “A Segurança Social até chegou ao ponto de enviar inúmeros faxes para o trabalho dele. Isto não se faz”.

O CM sabe, ainda, que o jovem ex--casapiano deixou de frequentar a casa da madrinha, dado que A.P. já por diversas vezes o procurou no local, para “tirar satisfações” das acusações que lhe foram feitas.

DOCUMENTO

Os dados pessoais de João A. constam de um telegrama que foi enviado pelo Ministério da Segurança Social para o local onde, por enquanto, está a residir.

Nessa casa mora Manuela C., a tia adoptiva do ex-aluno da Casa Pia que denunciou a Catalina Pestana e à Polícia Judiciária os “horrores” a que o sobrinho foi submetido, nos 11 anos que esteve na instituição.

João A. começou por ser violado aos seis anos, situação que se manteve até aos 17, quando foi expulso da Casa Pia. Entre as pessoas que o jovem assegura que o violaram e espancaram, contam-se Carlos Silvino, “Bibi”, A.P., um funcionário do colégio Maria Pia e o embaixador Jorge Ritto.

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