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EX-ALUNO ACUSA MÉDICO E FUNCIONÁRIO SUSPENSO

João A., de 21 anos, é um ex-aluno da Casa Pia que dos 11 aos 18 anos foi violado e espancado por dois funcionários da Casa Pia e também alvo de assédio sexual por parte de um médico que trabalhou no posto (28) clínico da Avenida Afonso III, em Lisboa.
10.01.03
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Uma das pessoas que abusou do jovem foi Carlos Silvino, ‘Bibi’, que se encontra em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional junto da Polícia Judiciária. A outra pessoa é A. P. um homem na casa dos 50 anos, que a provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, já mandou suspender.

Até ontem, João A. - um dos menores que frequentou a casa do embaixador Jorge Ritto, em Cascais, e que foi fotografado e filmado nas orgias em que era obrigado a participar - nunca quis falar do que lhe sucedeu, apesar de a sua mãe já ter apresentado uma queixa no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), que, de acordo com o que o CM apurou, de nada valia em termos jurídicos, dado que o jovem é maior de idade. Ontem, porém, aceitou prestar um depoimento formal ao advogado Adelino Granja, que será hoje entregue no DIAP.

E perante o que ouviu, o antigo casapiano não esconde que ficou “chocado”. “Infelizmente, devido ao medo e às ameaças de que foi alvo, só agora conseguimos que falasse connosco. E o que ouvi horrorizou-me. É inaudito o que fizeram ao jovem”.

Em relação ao médico que passava o tempo a “acariciar o pénis” do jovem da Casa Pia quando este o cosultava por causa de uma dor de garganta ou qualquer outra maleita, Adelino Granja assegura que será facilmente localizável. “Temos o nome e a descrição física do homem. Temos tudo.”

Segundo Adelino Granja, o caso de João A. ainda não terá prescrito: “Os últimos factos que me relatou remontam a 1997/98. E nos casos de violação o prazo de prescrição, creio, é de dez anos”, justificou, frisando, no entanto, que vai ter de analisar melhor a questão.

A concluir, deixou um apelo a actuais ou ex-alunos da Casa Pia que tenham sido violados: “Eu e Pedro Namora temos a certeza de que há mais crianças que ainda não relataram o que lhes sucedeu. Recomendo a todas que o façam. Peço-lhes que se dirijam à provedoria da Casa Pia, aos elementos do Ministério Público que estão a fazer a sindicância à instituição ou ao DIAP. Caso não o consigam fazer, sabem que podem contar comigo e com Pedro Namora”.

BLOCO RECEBE NAMORA E GRANJA

O Bloco de Esquerda decidiu ontem organizar uma sessão, na Assembleia da República, com os dois ex-alunos da Casa Pia. A reunião será na terça-feira e aberta a deputados de todas as bancadas parlamentares.

A iniciativa foi formalizada por Francisco Louçã, deputado do Bloco, após o PSD e o CDS-PP terem reiterado a rejeição a uma audição com Pedro Namora e Adelino Granja na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais. Catalina Pestana será a única a ser ouvida.

Francisco Louçã classificou a situação como “extraordinária”. “É a primeira vez que a Comissão rejeita ouvir alguém. A única solução que o Bloco de Esquerda tem é organizar uma reunião com os dois ex-alunos, porque queremos ouvi-los sobre matérias que não são de segredo de justiça, mas que são de grande relevância política”, sustentou o dirigente bloquista.

Pedro Namora e Adelino Granja formalizaram em Dezembro um pedido para serem ouvidos na Assembleia da República, alegando a existência de "contradições" nos depoimentos prestados no Parlamento por alguns ex-secretários de Estado que tutelaram a instituição.

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