“Foi como matar duas galinhas”

"Porque motivos cometeu esta barbárie?", ainda insistiu ontem o juiz com Paulo Ferraz, mas o catequista, de 38 anos, apesar de confessar que assassinou a tiro o pai e a madrasta, em Póvoa de Baixo, no Verão passado, apenas gesticulou e disse que "não há mais nada a dizer". Limitou-se a confirmar, no Tribunal de Tondela, que "está correcto" o que consta da acusação.
12.05.11
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“Foi como matar duas galinhas”
Paulo Ferraz, em prisão preventiva, à entrada do tribunal Foto Nuno André Ferreira

Nervoso, quase sem forças para falar, Paulo Ferraz disse a custo que nos últimos cinco anos manteve uma relação tensa com a madrasta, Odete Ferreira, de 57 anos, porque esta "tinha um feitio irascível". "Foi um avolumar de situações. E naquela altura bloqueei completamente", disse ao tribunal.

O Ministério Público, na sequência de uma investigação da Polícia Judiciária, diz que, em 27 de Julho de 2010, o catequista começou por agredir a madrasta com uma machada de cortar carne e a seguir assassinou o pai, Fernando Ferraz, com um tiro de caçadeira. Voltou depois a procurar a madrasta e executou-a também com um tiro na cabeça.

Duas tias do arguido e cunhadas das vítimas testemunharam ontem em tribunal e disseram que no dia do crime, quando chegaram à residência da família, encontraram Paulo Ferraz "calmo e aliviado". "Acabou-se a tortura física e psicológica. Já está!", disse-lhes na altura o arguido. Isabel Vieira, tia de Paulo, contou ao tribunal que um mês antes do crime a cunhada lhe confidenciou que Paulo "lhe deitou as mãos à garganta e a tentou matar". "Quando o encontrei estava como se nada tivesse passado. Era como se tivesse matado duas galinhas", adiantou a tia do arguido.

Os dois militares da GNR que detiveram o suspeito de duplo homicídio disseram que ele não ofereceu qualquer resistência e indicou onde estava arma do crime.

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