'Gangue dos camiões': Ministério Público acusa 45 pessoas

O Ministério Público do Porto acusou 45 pessoas no âmbito de um megaprocesso por desvio de camiões carregados de mercadoria diversa, que acabava nas mãos de receptadores, a preços de saldo. Eventuais ilícitos fiscais associados ao "gangue dos camiões" foram remetidos para inquéritos criminais autónomos, decidiu a 5.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto.
26.11.12
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'Gangue dos camiões': Ministério Público acusa 45 pessoas
Camiões eram desviados e esvaziados Foto Ricardo Almeida

Os 45 arguidos, sete dos quais presos preventivamente, estão acusados por um total de 390 crimes, de associação criminosa a furto qualificado e receptação. Entre os acusados conta-se um empresário de Esmoriz, irmão do sucateiro Manuel Godinho, principal arguido do processo "Face Oculta". Trata-se de Artur Ferreira Godinho, a quem o DIAP imputa a prática de sete crimes de receptação e um de detenção de arma proibida.

Segundo o despacho acusatório do processo, que a agência Lusa consultou, o esquema foi montado por um industrial têxtil de Vila Nova de Gaia, que recrutou outros empresários para a cúpula do grupo. Para a parte operacional foram aliciados diversos motoristas, que recebiam 500 a 1.500 euros por cada acção e/ou comissões sobre o valor das vendas dos artigos aos receptadores.

Divergências no seio da rede, relacionadas precisamente com os pagamentos aos operacionais, levaram à constituição de vários subgrupos que se dedicaram às mesmas práticas, precisa a acusação.

Actuando a partir de 2010 em quatro dezenas de situações, a rede apoderava-se de camiões com semirreboques, ou simplesmente dos semirreboques, com o objetivo central de furtar toda a carga e de a encaminhar para recetadores a metade dos valores de mercado.

Depois de esvaziados, os camiões e/ou os semirreboques eram abandonados mas, em alguns casos, a chamada "galera" também era vendida. Ao desmantelar o grupo, há um ano, a PSP avaliou os furtos em mais de dois milhões de euros. Na altura, foram apreendidos 10 tratores de semirreboque e 14 semirreboques, alguns dos quais furtados em áreas de serviço de autoestradas como a A4 e a A17.

Em 72 buscas, a PSP recuperou ainda uma "quantidade muito significativa" de géneros alimentícios, incluindo toneladas de bacalhau, salsichas, farinha e bebidas. O processo-crime agora concluído pelo DIAP tem mais de 60 volumes e só a acusação preenche 1.265 páginas.

A prova contra os 45 acusados alicerça-se basicamente em autos de busca, escutas telefónicas e dezenas de testemunhos, a maioria de polícias. Nem todos os arguidos foram ainda notificados do despacho acusatório, uma vez que alguns se encontram em paradeiro desconhecido, um deles em território francês.

Embora aluda a facturas e vendas a dinheiro "fictícias", para "ocultar a origem ilícita dos bens", o despacho final de acusação defende que as suspeitas de crimes fiscais que recaem sobre alguns arguidos, incluindo o alegado mentor do esquema, "carecerão de melhor investigação". Nesse contexto, optou por extrair certidões, a enviar a outros serviços do Ministério Público e, num caso que envolve um arguido de Badajoz, às autoridades judiciárias espanholas.

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3 Comentários
  • De antunano26.11.12
    As penas e coimas para casos desta natureza deviam ser alteradas para o dobro do q está estabelecido. Começar a aplicar os padrões americanos em todos os crimes q levem ao enriquecimento ilícito e todas as circunstâncias
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  • De A.J.R.S.26.11.12
    O SENHORES MAS ISTO E SO PARA DAR PREJUISO AU NOSSO PAIS!!! POIS POUCOS DIAS PASSARÃO QUE O PROCESSO SERA ARQUIVADO E PRONTO E VOLTAMOS AU DITADO ANTIGO: ROUBAR PARA COMER NÃO TEM PROBLEMA
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  • De J.S.26.11.12
    Só Mafias!!!
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