Ia comprar casa e foi burlado em 10 mil euros

Estefânia. Todo mobilado. Como novo. Motivo saúde. Bom preço. O próprio.” Quando viu o anúncio no jornal, Álvaro Machado nem suspeitou. “Pareceu-me um bom negócio”, conta. Por isso, quando lhe foi pedido um sinal de dez mil euros, não pensou duas vezes. O pesadelo veio depois, quando descobriu que tinha sido burlado e que, afinal de contas, tinha dado sinal para um andar que não pertencia a quem lho vendeu. O burlão, ao que tudo indica, saiu, entretanto, do País, conta-se que para Barcelona, sem se saber quantas pessoas mais terá enganado.
29.08.06
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Ia comprar casa e foi burlado em 10 mil euros
Álvaro Machado na frente do n.º 63 Foto Sérgio Lemos
Tudo começou no dia 7 de Agosto, quando Álvaro Machado encontrou num jornal aquilo que considerou uma oportunidade para um bom negócio. “Um apartamento T1, todo mobilado, no centro de Lisboa, por apenas 65 mil euros, achei barato”, desabafa. “Como moro em Porto Alto e há muito que andava à procura de uma casa em Lisboa, achei que era uma boa oportunidade”, adianta.
No dia seguinte deslocou-se então ao número 63 da Rua D. Estefânia, visitou o 2.º andar direito e nem hesitou quando o dito proprietário da fracção, que se apresentou com o nome de António Augusto Sobral Marques, lhe pediu dez mil euros de sinal.
“Era um senhor bem falante, bem apresentado e eu nunca desconfiei de nada. Chegou a dizer-me que a mulher estava doente e até chegámos a falar com ela, uma senhora que tinha os pés ligados.” Nem mesmo o facto de o dito burlão ter levantado, na hora, os dez mil euros em dinheiro e em notas de 20 euros, numa dependência da Caixa Geral de Depósitos mesmo ao lado do prédio, levou Álvaro Machado a desconfiar do negócio.
As dúvidas começaram quando chegou a altura de tratar dos documentos. “Ele dizia sempre que não tinha tempo porque a mulher estava doente e os dias iam passando”, conta. Foi então que, no passado dia 24, Álvaro Machado decidiu ir ele próprio à conservatória tratar de tudo. Mais depressa fosse e mais depressa teria descoberto toda a tramóia. Só nessa altura caiu em si: “Fui enganado!”
“Descobri que a casa estava em nome de uma senhora que é afinal a dona do prédio e o falso proprietário era apenas o inquilino. Nem sequer os móveis eram dele”, desabafa.
O CM apurou, entretanto, que o anúncio que enganou Álvaro Machado era publicado desde 2005 com diferentes números de telefone e grafismo. Tentámos ligar para o número indicado, sem sucesso, e chegar à fala com a senhoria do prédio, que se recusou a prestar declarações. O caso foi comunicado à Polícia Judiciária.
PERFIL
Natural de Mação, no distrito de Santarém, Álvaro José Pires Machado reside actualmente em Porto Alto, Samora Correia. Empregado da Telecom, confessa-se, aos 50 anos, uma “pessoa de bem”. Garante que durante toda a vida sempre acreditou na “boa-fé dos outros” – afinal de contas o perfil mais apetecível para os burlões.
BURLAS SOBEM 18 POR CENTO EM 2006
Segundo fonte da PSP, os casos de burla aumentaram cerca de 18 por cento no primeiro semestre deste ano, por comparação com igual período do ano passado. Os dados, no entanto, não especificam os tipos de burla, incluindo desde o conto do vigário simples à burla agravada pelo recurso, por exemplo, à criação de falsas empresas. “Mas os casos são muitos mais. Alguns nunca chegam ao conhecimentos das autoridades porque as vítimas têm vergonha”, adiantou ao CM aquela fonte.
Quanto ao perfil tipo do burlão é, na maior parte dos casos, do sexo masculino, entre os 30 e os 45 anos e aparenta ser de um nível social alto. Alguns casos têm final feliz, incluindo o acordo entre o burlão e a vítima, mas nem sempre é possível agarrar o burlão mais astuto.
CUIDADO COM OS 'NEGÓCIOS DA CHINA'
São uma forma rápida e às vezes barata de conseguir casa ou carro, entre outros negócios, mas a verdade é que os classificados dos jornais podem trazer grandes amargos de boca. “Até já há anúncios de falsos empregos para burlar as pessoas”, revela uma fonte da PSP. “Comprar o que quer que seja a um particular é sempre um tiro no escuro”, afiança, por seu turno, Jorge Morgado da Deco.
No caso da compra de uma casa, por exemplo, é aconselhável, ir primeiro à conservatória para saber da situação do imóvel e depois inteirar-se da situação fiscal, se tem ou não hipoteca ou penhora, por exemplo. “Jamais se deve adiantar um sinal sem certezas” lembra Jorge Morgado. No caso de situações duvidosas deve contactar-se logo as autoridades.

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