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Nuvem radioactiva chega a Portugal

Pelos céus dos Açores já circulam partículas de gases radioactivos oriundas da central nuclear de Fukushima, Japão. A ‘nuvem radioactiva’ deve atingir Portugal continental nos próximos dias e evoluir para o resto da Europa e Médio Oriente.
29.03.11
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Nuvem radioactiva chega a Portugal
Japoneses testaram eventual evacuação Foto Kim Kyung-Hoon/Reuters

Mas Félix Rodrigues, investigador e perito em poluição da Universidade dos Açores, que detectou as partículas através de um estudo de modelação da circulação atmosférica, desdramatiza a presença dos gases. "Estão a muita altitude e a quantidade é milhões de vezes inferior ao que se passa em Fuku-shima. É uma radiação residual, com níveis semelhantes aos emitidos pelas rochas e solos", explicou ao CM.

O secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, assegurou que não foram registadas alterações nos valores de radioactividade no arquipélago. O gás xénon 133 foi o primeiro a ser detectado, a 2500 metros de altitude, mas a quantidade encontrada é tão ínfima que deve desfazer-se na atmosfera em poucos dias. Mais perigosos são o césio 137 e o estrôncio 90, que podem permanecer nos solos durante décadas. "Ainda há vestígios de césio e de estrôncio no Japão, nas regiões de Hiroshima e Nagasaki, onde foram lançadas bombas atómicas na II Guerra Mundial", explica Félix Rodrigues. No entanto, acrescenta, não é previsível que estes gases cheguem ao solo.

A exposição prolongada a grandes doses de radioactividade pode provocar vários tipos de cancro.

PLUTÓNIO NO SOLO NO FUKUSHIMA

A empresa japonesa TEPCO detectou, pela primeira vez, vestígios de plutónio no solo em cinco locais diferentes no perímetro da central nuclear de Fukushima, mas garantiu que se trata de quantidades residuais e não constituem perigo para a saúde. Os vestígios foram detectados em análises ao solo realizadas na semana passada, adiantou fonte da empresa que gere a central. A TEPCO anunciou ainda que os elevados níveis de radiação detectados no domingo na água do reactor 2, que chegaram a ser 100 mil vezes superiores ao normal, se deveram, provavelmente, à fusão parcial das varetas de combustível no interior do reactor, mas assegurou que a situação "está controlada".

DISCURSO DIRECTO

"SEM MOTIVO PARA ALARME": Félix Rodrigues, Investigador da Univ. Açores

Correio da Manhã – Há motivos para alarme com a presença da ‘nuvem radioactiva’?

Félix Rodrigues – Não há qualquer motivo para alarme. A presença de partículas na atmosfera é residual, é inferior às radiações do nosso Verão.

– Mas os vários componentes radioactivos não são perigosos para a saúde humana?

– Toda a radiação é prejudicial à saúde. Quando andamos de avião apanhamos radiação. No entanto, a presença destas partículas é muito ínfima. Seria perigoso se atingisse o solo, mas não é esse o caso.

– Se algum reactor de Fukushima explodir, o risco não aumentará em consequência?

– É preocupante no Japão e na costa ocidental dos EUA. O que é expectável a longo termo é que as partículas tenham distribuição global e que as maiores concentrações se situem na América do Norte, África do Norte e Ásia. A Europa será das zonas menos afectadas.

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